VIGIAI!

1 – Um tempo de espiritualidade vigilante

Iniciamos, hoje, neste 1º Domingo do Advento, um novo Ano Litúrgico. Podemos ter várias compreensões do Ano Litúrgico: desde aquela que o define como calendário das celebrações da Igreja, que é encontrada em dicionários, na internet e em algumas explicações leigas, como aquela mais teológica, que o descreve como a celebração dos Mistérios Pascais de Cristo. O Ano Litúrgico tem também uma dimensão pedagógica e, enquanto tal, tem por fim nos conduzir nos caminhos do discipulado. Diante de tais dados, vamos esclarecer: o Ano Litúrgico não é um simples calendário de celebrações, mas é a presença de Jesus que continua presente no tempo, Jesus que é celebrado no tempo de nosso hoje, através da Liturgia, para iluminar nosso hoje com a luz da vida divina, através do Evangelho e dos acontecimentos da vida de Jesus Cristo. Mas, o Ano Litúrgico, como dizia, é também pedagógico e, neste sentido, é um tempo do qual a Igreja se serve para conduzir seus filhos e filhas nos caminhos de Deus, alimentando-os com a espiritualidade do Evangelho, para que nos tornemos discípulos e discípulas de Jesus Cristo à medida que celebramos seus Mistérios. 

2 – A luz da vigilância

O primeiro momento do Ano Litúrgico que estamos iniciando hoje, — conhecido como Ano B — será conduzido pelo evangelista Marcos, e tem como característica apelar à vigilância em vista da 2ª vinda de Jesus Cristo. O Ano Litúrgico, portanto, inicia-se não a partir do começo, preparando o Natal, mas colocando diante de nossos olhos a esperança e a meta, que terá início com o encontro definitivo que acontecerá no final dos tempos, quando Jesus voltará. A finalidade pedagógica é esta: antes de começar a viver um novo tempo da nossa vida, a Igreja apresenta a meta, o ponto de chegada, o endereço final, que é o encontro que teremos com Nosso Senhor Jesus Cristo, em sua 2ª vinda. Para que o encontro seja bem sucedido é preciso, que em todos os dias do novo Ano Litúrgico que hoje iniciamos, vivamos na vigilância, como ouvimos no Evangelho: “vigiai, porque não sabeis quando o dono da casa virá”. A vigilância é necessária para não sermos surpreendidos e nem pegos despreparados. A vigilância é o modo como vivemos o Ano Litúrgico para não sermos surpreendidos pelo dia do Senhor. Vigilância de quem se ilumina com a luz do Evangelho.

3 – Espiritualidade da vigilância

Mas isso é algo muito difícil, você poderá alegar. É verdade! Hoje, estamos envolvidos em tantas novidades que nos formamos culturalmente curiosos. Todos os dias, a todo momento, aparece alguma coisa nova na vida da gente. Somos continuamente distraídos pelo esporte, por atrações de shows e de festa, por eventos que, se não estivermos vigilantes, podem nos tirar o sentido último da vida. Só que isso não é de hoje. Já acontecia antigamente, no início da Igreja, como verificamos lendo a 2ª leitura, onde São Paulo garante que o Senhor nos ajudará e nos dará a perseverança necessária para não nos distrair em meio de tantos atrativos do mundo. Como? A espiritualidade da vigilância acontece principalmente através da oração e da meditação diárias. Rezar todos os dias, meditar a Palavra do Senhor todos os dias, para que o Senhor venha ao nosso encontro e, quando aquele dia chegar, ele nos encontre no caminho da justiça e da alegria, como ouvimos na 1ª leitura, que é a estrada por onde caminha Deus.

4 – Tempo de distrações

Volto a repetir: viver na vigilância não é algo fácil, porque estamos envolvidos em novidades que nos distraem de Deus. A 1ª leitura retrata um pouco essa situação, do povo que se distraiu dos caminhos de Deus, a ponto de sentir a falta de Deus, obrigando o Profeta a interceder que Deus rompa os céus e volte a viver no coração do povo. O salmista reza com a mesma intenção, na sua oração sálmica, para que Deus volte e venha habitar conosco, a fim de não ficarmos entregues à mercê da maldade, como se queixava Isaias, na 1ª leitura. Todos estes elementos valem para nossos dias. No tempo de Isaias, o povo vivia exilado por motivos políticos, hoje, somos exilados, vivemos longe de Deus por outras forças, como por exemplo, a forte carga de entretenimento. Parece que viver e trabalhar tem como única finalidade se divertir e sempre mais se divertir. Somos distraídos e exilados de Deus também por motivações econômicas, pela busca do sucesso financeiro, pela busca da fama, de desejos exibicionistas, como se vêm em pessoas que cultuam o corpo e não cuidam do coração e da alma. Diante deste exílio, a Palavra de Jesus se torna cada vez mais insistente para todos nós: vigiai para não serdes surpreendidos pelo dia do Senhor.

Padre Sérgio José de Sousa, OSJ
Pároco-Reitor

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