TEMPO DA PACIÊNCIA DIVINA

No Domingo passado, iniciamos o Tempo do Advento e, como celebrávamos e refletíamos naquela oportunidade, os dois primeiros Domingos do Advento são dedicados a preparar a 2ª vinda de Jesus Cristo. Neste 2º Domingo, que celebramos hoje, esta referência encontra-se particularmente presente na 2ª leitura, na qual Pedro alerta os cristãos e as cristãs a não perderem o foco ou a luz da vigilância, porque o tempo divino é diferente do nosso tempo humano e do tempo terreno. Pedro considera o período histórico atual como “tempo da paciência divina”, que oferece a cada um de nós a oportunidade para nos encontrar com ele, quando vier em sua 2ª vinda. A importância da vigilância em nossas vidas, como celebrávamos no Domingo passado, volta na carta de Pedro que acabamos de ouvir, ao comparar o “Dia do Senhor” a um ladrão, que não avisa a hora que deverá chegar. De onde a necessidade de estar sempre preparados, vigilantes para não sermos pegos de surpresa. Diante desse contexto, a conclusão de Pedro é uma advertência para se viver vigilantes, para se viver na esperança e longe do pecado.

Mesmo que a figura de João Batista, neste Ano Litúrgico B, apareça já no 2º Domingo do Advento — com uma nítida ligação à preparação da 1ª vinda de Jesus, no Natal — convido todos a refletirmos as leituras na perspectiva da preparação da 2ª vinda de Jesus Cristo. Aquilo que o evangelista Marcos descreve no Evangelho vale tanto para a 1ª vinda, preparando-nos assim para o Natal, como para a 2ª vinda de Jesus Cristo. No caso da 2ª vinda de Jesus Cristo vale a pena sublinhar que o Senhor vem ao nosso encontro pelos caminhos do mundo, pelas estradas da vida onde caminhamos e onde vivemos no nosso cotidiano. Por isso, entende-se o simbolismo usado por João Batista convidando-nos a preparar caminhos que possam comportar os passos e a caminhada de Jesus entre nós. Caminhos que não sejam marcados pelo pecado, pela agressão, pela raiva, mas que sejam planos; planos e planificados no amor. Jesus, em sua 2ª vinda, nos encontrará nos caminhos do amor, da fraternidade e da alegria de viver na solidariedade com todos, especialmente com os mais necessitados. Os caminhos da fraternidade, são os caminhos planos, sem vales e sem montanhas.

A mesma dinâmica simbólica do caminho, descrita por Marcos, encontra-se na 1ª leitura, na profecia de Isaias, com o mesmo convite de João Batista: aterrar vales, derrubar colinas e montanhas, endireitar curvas para que a vida humana possa encontrar-se com a vida divina. Em ambas as mensagens, de Isaias e de João Batista, o tema que ilumina a nossa reflexão é o mesmo: o encontro com Jesus acontece num processo de construir novos caminhos, de refazer estradas, de criar possibilidades de encontros, aterrando vales e derrubando montanhas. Do ponto de vista social, visualizamos todo esse esforço no trabalho feito pela Igreja, seja a nossa Igreja Católica como outras Igrejas Evangélicas, criando caminhos de paz, de harmonia entre as pessoas; caminhos de solidariedade… e com os ingredientes de solidariedade, amor, paz, alegria que derrubamos montanhas de preconceitos, aterramos vales de distâncias sociais e nos tornamos todos solidários na fraternidade e pela fraternidade.

A mesma proposta de preparar os caminhos do Senhor precisa ser considerada do ponto de vista pessoal. A preparação dos caminhos é, para cada um de nós, uma proposta de conversão, de mudança de vida, de reorientação de metas e de objetivos para a vida de cada de um de nós. Através do simbolismo do caminho em vista da preparação da 2ª vinda do Senhor, que vem ao nosso encontro, eu e você somos convidados a nos perguntar: — seguindo o caminho onde caminho agora, neste momento de minha vida; eu estou indo ao encontro de Jesus? Seguindo os caminhos de minha vida atual, eu vou chegar aonde? É bom que aproveitemos este último mês de 2014 para uma boa confissão e, quando se fala de boa confissão, inclui-se também o “propósito”, que faz parte da celebração penitencial do Sacramento da Confissão, com a disposição de viver de outro modo; de caminhar em outras estradas. Vamos, portanto, iniciar o mês de dezembro, que encerra 2014, fazendo um retrospecto de nossa caminhada, considerando onde o caminho no qual caminhamos atualmente e, principalmente, no modo como caminhamos, nos conduzirá. Aproveitemos também este momento celebrativo para avaliar nossa vigilância e como nos preparamos, através de nosso viver, para o encontro definitivo do Senhor, quando ele virá no final dos tempos. Que o Senhor envie seu Santo Espírito para iluminar nossas mentes e abra nossos olhos para vivermos na vigilância, de quem espera a vinda do Senhor, em sua 2ª vinda.

Padre Sérgio José de Sousa, OSJ
Pároco-Reitor

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