Hoje (15 de junho), celebraremos a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, dia da “Jornada Mundial de Oração pela Santificação dos Sacerdotes”.
O Santo Padre o Papa Bento XVI convida-nos a iniciar o “Ano da Fé” em 12 de outubro próximo através da “Carta Apostólica Sob Forma de Motu Proprio Porta Fidei.” Esta iniciativa está vinculada à recordação dos 50 anos da abertura do Concílio Vaticano II, ocorrido em 11 de outubro de 1962, ao vigésimo aniversário da publicação do Catecismo da Igreja Católica, acontecido em 11 de outubro de 1992, e ao início da Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos, em outubro próximo, no Vaticano, em Roma, com o tema “Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã”.
A celebração da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus é ocasião oportuna para pedirmos a Deus: que as conclusões do Vaticano II sejam acolhidas como “uma bússola segura para nos orientar no caminho do século que começa, uma força para a renovação sempre necessária da Igreja”; que o Catecismo da Igreja Católica seja usado como “norma segura para o ensino da fé e, por isso, instrumento válido e legítimo ao serviço da comunhão eclesial”; para que o Sínodo dos Bispos seja “ocasião propícia para introduzir o complexo eclesial inteiro num tempo de particular reflexão e redescoberta da fé”.
Vivemos um drama singular, o esquecimento da dignidade humana, a ignorância voluntária de que o homem é capaz de Deus, o abandono de Deus como irrelevante para a vida, ou a sua negação explícita. “As nações já cristianizadas não são mais tentadas a cair num genérico ateísmo (como no passado), mas correm o risco de serem vítimas daquele particular ateísmo que consiste em esquecer a beleza e o calor da Revelação Trinitária”(Cardeal Mauro Piacenza, Carta aos Sacerdotes, 26 de março de 2012).
O Concílio Vaticano II, na Constituição Pastoral sobre a Igreja no mundo atual, 19, afirma: “A razão mais sublime da dignidade humana consiste na sua vocação à comunhão com Deus. Desde o começo da sua existência, o homem é convidado a dialogar com Deus: pois se existe, é só porque, criado por Deus por amor, é por Ele, e por amor, constantemente conservado: nem pode viver plenamente segundo a verdade, se não reconhecer livremente esse amor e não se entregar ao seu Criador.”
Vivemos a necessidade de uma nova evangelização. Como atingir “todos os homens”, de “todas as gerações”, “todos os povos da terra”, levando-os ao conhecimento, amor e seguimento de Jesus Cristo? “Nenhuma nova evangelização será realmente possível se nós cristãos não estivermos em condições de impactar e comover novamente o mundo com o anúncio da natureza do amor de nosso Deus nas Três Pessoas Divinas, que a exprimem e que nos envolvem em sua própria vida”, afirma o Cardeal Mauro Piacenza, Prefeito da Congregação para o Clero, ao convocar a Jornada Mundial de Oração pela Santificação dos Sacerdotes. Para esta missão precisamos de sacerdotes santos.
“Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação”(1 Ts 4,3). Este convite é para todos, sobretudo para o sacerdote, pois ele é ministro da santificação: “não podemos santificar-nos sem trabalhar pela santificação dos nossos irmãos, e não podemos trabalhar pela santificação de nossos irmãos sem que primeiro tenhamos trabalhado e ainda trabalhemos em nossa própria santificação”, afirma o Cardeal MauroPiacenza.
A busca da santidade pode recomeçar sempre através da busca consciente do arrependimento e do perdão, mas devemos pedir em nossa oração a santidade para os sacerdotes, para que nos seus corações renasça um “generoso ressurgimento daqueles ideais de total doação a Cristo que estão na base do ministério sacerdotal”. Só assim “eles poderão oferecer ao homem de hoje a dignidade de ser pessoa, o sentido das relações humanas e da vida social, e o objetivo de toda a criação.”
“O mundo de hoje, com suas lacerações sempre mais dolorosas e preocupantes, precisa do Deus-Trindade, e anunciá-lo é tarefa da Igreja. A Igreja, para executar esta tarefa, deve permanecer indissoluvelmente abraçada a Cristo e não deixar-se nunca separar dele: necessita de Santos que morem no ‘coração de Jesus’ e sejam testemunhas felizes do Amor Trinitário de Deus. E os sacerdotes, para servirem a Igreja e o Mundo, precisam ser Santos”(Cardeal Mauro Piacenza).

+ Tomé Ferreira da Silva

Bispo Auxiliar de São Paulo

Publicado no Jornal Sta Edwiges.Pequena adaptação no primeiro parágrafo.

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