Percebendo o que está por trás das palavras

Amados e Amadas de Deus!

Saúde e Paz!

Chama atenção a discussão de Jesus com os fariseus que, provocadamente, armam uma armadilha para pegar Jesus. Vou deixar esse assunto para mais adiante, porque antes de entrar nesse tema, gostaria de destacar o motivo pelo qual aconteceu esta discussão: o senhorio de Deus. Ou então, a fé de que somente Deus é o Senhor de nossas vidas e ninguém mais. Este é o foco da Liturgia deste Domingo. As leituras que acabamos de ouvir proclamam que somente Deus é o Senhor. É o que percebermos na 1ª leitura e, principalmente, no salmo responsorial. Ali, o salmista cantava convidando o povo a tributar glória e poder a Deus, pois ele é o único Senhor. Não existe outro Senhor, por mais importante que seja na terra, que seja igual e, menos ainda, que esteja acima de Deus. Os tributos, os impostos a César são importantes, mas do ponto de vista social e político, é a Deus que se deve tributar toda honra e todo poder. Por isso, iniciei minha reflexão proclamando o Senhorio de Deus, nosso Senhor. Hoje, no “Dia das Missões”, a Igreja proclama em todas suas atividades missionárias que Deus é o Senhor soberano, que Jesus é nosso Deus e nosso Senhor.

Nesse segundo momento vou considerar como Jesus enfrenta os fariseus. Primeiro é preciso perceber que os fariseus se aproximam de Jesus de modo provocador e malicioso. Não têm a mínima intenção de conhecer a verdade, apenas querem provocar Jesus e maliciosamente pretendem colocá-lo em contradição. Jesus percebe o jogo dos fariseus e em vez de dar poder ao modo deles pensar, assume o comando e é ele quem dirige a discussão, descartando aos fariseus qualquer possibilidade de comando. Deste modo, Jesus se apresenta como modelo para nossos relacionamentos com pessoas que provocam e armam armadilhas contra nosso modo de pensar e viver a fé e a religião. O exemplo de Jesus está na serenidade: ele não se apavora com os argumentos provocadores, não se deixa envolver na malícia deles e se mantém firme na convicção de sua fé. Por isso, Jesus não oferece nenhum tipo de concordância com os argumentos dos provocadores, ao contrário, descarta-os com educação e propõe claramente seu ponto de vista. Nada, portanto, de entrar em discussão com os provocadores de nossa fé, mas serenidade e convicção, sem levantar o tom da voz.

Outro elemento que se torna pertinente em nossa reflexão é a dimensão sócio-política do texto. Seja na 1ª leitura como no Evangelho, a política forma o contexto social das leituras; aparece como pano de fundo das leituras. É um tema pertinente porque ainda estamos envolvidos com a política devido as eleições que acontecem no Brasil. A resposta de Jesus demonstra que a política tem sim valor e deve ser considerada importante para os cristãos. Mas, não deve ser transformada nem em religião e muito menos em instrumento para culto de personalidade, como acontecia no passado e como acontece ainda hoje em algumas partes do mundo. A política tem sua importância e sua função social, mas a prioridade está no senhorio de Deus, a quem se oferece tributos de louvor e adoração, como cantava o salmista. Por isso, a expressão de Jesus, “dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” se entende que o direito de César seja respeito pelo pagamento dos impostos, mas o primado sempre é de Deus.

Hoje celebramos o “Dia das Missões”. Um momento especial para recordar que a Igreja é missionária, é enviada a levar o Evangelho e a cultivar a vinha do Reino em todas as partes do mundo. A 2ª leitura ajuda-nos a entender que a missão é um modo de atuar, de testemunhar publicamente a fé, de se esforçar para que a caridade seja reflexo visível do Evangelho anunciado. A missão da Igreja demonstra que crença é algo estático, parado, abstrato, mas a fé cristã é uma atividade que se traduz em obras. A missão da Igreja não é uma atividade de proselitismo, para trazer mais gente para a Igreja, mas é um trabalha em favor do povo. A caridade é tratada por Paulo, na 2ª leitura, como um esforço, uma missão, um trabalho duro que exige coragem e renúncia e, não poucas vezes, sofrimento para promover relações fraternas. Por fim, sempre iluminados pelo ensinamento de Paulo, entendemos que a missão acontece onde existe esperança que, unida à perseverança e à paciência, promovem um tempo novo, formado por homens e mulheres novos, modelados pela sabedoria do Evangelho. Rezemos, hoje, para que isso se torne realidade em nossos dias, quando o primado de Deus é tantas vezes ofuscado por ídolos propostos pelos meios de comunicação ou pela cultura do entretenimento.

Padre Sérgio José de Sousa, OSJ

Pároco-reitor

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