OPÇÕES QUE CONDUZEM A SANTIDADE

Tenho a impressão que a santidade é um tema que ainda assusta muitos de nós, porque nem todos temos uma idéia clara e objetiva da santidade, do que seja a santidade e de como vivê-la. Parece que ainda persiste aquela idéia de que o santo e a santa são pessoas do passado ou que viveram de um modo totalmente diferente do nosso. Gente estranha e diferente de nós. Quanto ao primeiro pensamento, que viveu no passado, é um equívoco, porque existem santos e santas em todas as épocas da história. Existem santos e santas em nossos tempos, como é o caso de Papa João Paulo II, que muitos de nós vimos, até mesmo pessoalmente; como Madre Teresa de Calcutá e outros tantos em muitas partes do mundo. Isso sem esquecer de mencionar os santos e santas com os quais convivemos em nossas comunidades. Quanto ao segundo fato, de serem totalmente diferentes de nós, isto sim é verdade, porque tanto os santos de ontem como os de hoje, viveram e vivem dedicando suas vidas a Deus. Dedicaram suas vidas para realizar a vontade divina com suas vidas e por meio de suas vidas.

O que caracteriza a vida do santo e da santa de todos os tempos? Uma resposta está no refrão do salmo responsorial, que podemos adotar como definição para nossa reflexão. Vamos dizer que os santos e as santas formam “a geração dos que procuram o Senhor”. São aqueles que buscam a face divina, como diz o salmo responsorial. É interessante perceber como o salmista descreve a procura de Deus, pois nele se encontra a fonte da santidade. No início do salmo, o salmista reconhece a santidade divina com louvores de admiração. Na segunda parte do salmo, ele vai buscar a santidade divina no Templo, o local onde homens e mulheres se encontram com Deus, no contexto Bíblico do Antigo Testamento. Mas, para se entrar no Templo é preciso ter a chave da porta que conduz à santidade divina. E esta chave está na vida. Quem tem mãos puras e coração inocente pode entrar na santa habitação, pode envolver-se na santidade divina. O santo e a santa não purificam seus corações e suas mãos vivendo no céu, mas vivendo aqui na terra. Purificar o coração significa pensar e ter os mesmos sentimentos de Deus. Purificar as mãos significa agir como Jesus, que passou entre nós fazendo o bem. Coração puro e atitudes que purificam são as duas pernas para se caminhar na santidade. 

O caminho da santidade passa pela vida. Este é um conceito que precisamos ter presente para não entender que a santidade é algo relacionado unicamente com o céu. A santidade se realiza no céu, é verdade, mas é cultivada na terra. Os santos e as santas são aqueles homens e mulheres que entraram no caminho da santidade divina vivendo na terra a vontade de Deus em tudo. O modo de viver a santidade, na vida humana, é tornando-se semelhante a Jesus, para vê-lo no outro, como dá a entender a 2ª leitura. Ser semelhante a Jesus é viver fazendo a vontade de Deus em todos os momentos da vida. Diante desse fato, podemos dizer que o santo e a santa são aqueles homens e mulheres que, a exemplo de Jesus, vivem fazendo a vontade divina em todas as circunstâncias da vida. Não vivem buscando vontade própria, mas vivem para fazer a vontade divina. Estes vestem a túnica branca da santidade, porque purificaram seus corações, dizia a 1ª leitura, fazendo a vontade divina durante suas vidas terrenas.

Creio que muitos de nós nos distanciamos da santidade, como dizia no início da reflexão, porque não conhecemos, ou conhecemos pouco, a essência da santidade, que consiste em viver unicamente fazendo a vontade de Deus. Muitos julgam que santidade é passar a vida rezando, fazendo penitências e celebrações. Isto também faz parte da santidade, mas ninguém se santifica sem fazer a vontade divina na vida, por mais que reze ou faça penitências. É fazendo a vontade de Deus nos encontros cotidianos com as pessoas, que nós os transformamos em relacionamentos fraternos, capazes de purificar nossos corações e, como dizia Jesus no Evangelho, possibilitando-nos ver a face divina, pois, como diz a bem-aventurança, os puros de coração verão a face de Deus. Ver a face de Deus é o prêmio dos santos e das santas. Aqui na terra, nós vemos a face divina nos irmãos e irmãs com quem nos relacionamos fraternalmente; é isso que nos santifica e purifica nosso coração para habitar com Deus e envolver-se em sua santidade, contemplando eternamente a sua face divina.

Pe. Sérgio José de Sousa, OSJ

Pároco-Reitor

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