EXULTO DE ALEGRIA NO SENHOR

A celebração do Domingo da alegria — “Dominica gaudete” — como a tradição litúrgica, de longa data, denomina o 3º Domingo do Advento, considera o sentimento da alegria e também aquilo que a alegria produz: a paz interior e a serenidade. Preparar o Natal com alegria para que nosso coração seja repleto de paz e serenidade. Duas graças especialmente importantes para quem vai celebrar o Natal acompanhado do luto devido à tragédia da Covid 19. Sabemos que será um Natal diferente e, mesmo assim, a Palavra que ouvimos insiste que sejamos testemunhas da alegria. Testemunhar a alegria, testemunhar o Evangelho da alegria. Esta é a primeira proposta para uma boa preparação do Natal: testemunhar a alegria do Evangelho que produz paz e serenidade. A alegria de ter um coração sereno.

O testemunho que estou propondo fundamenta-se na espiritualidade da alegria. Tratando-se de espiritualidade, tem a ver com a atividade do Espírito de Deus agindo em nós. Isaias, na 1ª leitura, diz que está envolvido pelo Espírito de Deus para anunciar um tempo de alegria para o povo. No salmo responsorial, Maria canta que o seu coração está tomado pelo espírito de Deus. São Paulo, na 2ª leitura, insiste que sejamos alegres. Tudo isso serve para comprovar a importância e a necessidade da alegria na vida cristã. A espiritualidade da alegria tem o poder de curar feridas, de libertar-nos de prisões, especialmente aquelas causadas pelas mágoas, de atrair sobre nós as bênçãos de Deus, de fazer florescer a justiça e a solidariedade fraterna. A espiritualidade da alegria coloca-nos num estado de felicidade fértil, podemos dizer, que produz vida, que semeia paz, que semeia contentamento.

Vou concluir minha reflexão sugerindo algumas atitudes que podem nos ajudar na preparação do Natal a partir da espiritualidade da alegria. A primeira delas é o testemunho da alegria. Neste tempo tão marcado por provações, somos convocados a testemunhar a alegria da fé em Jesus Cristo. Outra proposta é a viver na alegria. Sim, talvez sua família tenha passado pela tumultuada estrada da pandemia, mas não podemos perder a espiritualidade da alegria, que transforma a dor em ação de graças agradecendo a Deus a vida de parentes e amigos que partiram. Minha terceira proposta é o afastamento da maldade, como pede São Paulo, na 2ª leitura. Afastar-se do mal, do pecado, não caminhar em caminhos da maldade. A quarta proposta é cultivar a alegria para semear a paz. Por fim, a quinta proposta é outra recomendação de Paulo: rezar sempre, rezar sem cessar. Com essas atitudes, muito simples, na verdade, nós seremos como a voz de João Batista, testemunhando a luz que será acesa no Natal para iluminar nossas vidas com a alegria do Espírito de Deus.

Pe. Sérgio José de Sousa, OSJ

Pároco-Reitor

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