A difícil arte de ser justo

Amados e Amadas de Deus!

Saúde e Paz!

Introdução
Os seguidores de Jesus se reúnem para celebrar juntos a memória daquele que nos amou até às extremas conseqüências do amor: Jesus Cristo morto e ressuscitado, presente onde dois ou três se reúnem em seu nome. Os que se reúnem em nome dele buscam criar e expressar relações onde a única dívida a ser paga é a do amor, pois “amar é obedecer à Lei com perfeição”. À luz da Palavra de Deus, os seguidores de Jesus aprendem a praticar a justiça do Reino na comunidade, fazendo de tudo para salvar o irmão, pois a luta pela justiça é a carteira de identidade do profeta.

Dinâmica da correção fraterna na comunidade

O termo correção não é bem visto atualmente por denotar invasão na privacidade do outro. Isso tem sua dose de verdade, motivo pelo qual precisamos estar atentos, para não se correr o risco de ser invasor ou imprudente nas palavras. De origem latina, o verbo corrigir é composto de duas palavras (cum + regere), que significa rever a orientação com outra pessoa. Correção, portanto, é ajudar o outro a reorientar atitudes e modo de pensar. Quando os pais corrigem o filho, estão reorientando a atitude do filho para outro modo de agir; em base a uma mentalidade diferente. Com o desenvolvimento da Psicologia, da Pedagogia e também da Filosofia, sabemos que existem correções que podem transformar vidas e outras correções que podem prejudicar a vida da pessoa para sempre. Por isso, a primeira coisa a fazer é estar atento ao modo de corrigir. São Paulo indica que o princípio da correção fraterna cristã, é o amor. Corrigir o outro, Para Paulo, é um ato de caridade para que o outro não se perca e reoriente sua vida.

Finalidade: o valor da vida dado por Deus

Outro elemento importante é compreender a finalidade da correção fraterna. — Qual o motivo da correção fraterna? O ponto de partida é o valor da vida humana. Mesmo que seja uma vida ímpia, nós que caminhamos nos caminhos do Evangelho temos o dever de ajudar a reencontrar o caminho do bem e da vida do jeito que Deus quer. Muitas passagens da Bíblia declaram que Deus não quer a morte do homem e da mulher, que Deus não quer que o homem e a mulher se percam; como é o caso da parábola do pastor que vai em busca da ovelha que se perdera e a traz de volta, para a vida segura. A correção é fraterna porque procura resgatar a vida de quem caminhava por estradas ameaçadoras. Na nossa Igreja, mas também em outras Igrejas, existem centenas de pessoas que exercem esse apostolado de resgatar vidas que se perdem na droga, alcoolismo, depressão, angustias, tristezas… gente que resgata, que ajuda a retomar o caminho para viver. Esse pessoal participa da dinâmica da “correção fraterna” como alguém que se coloca ao lado do outro para ajudá-lo a reorientar-se em seus caminhos existenciais.

Viver na mentalidade do Evangelho

Tem outra dimensão relacionada à vida comunitária. No semana passada, refletíamos que o discípulo de Jesus se caracteriza como aquele que vive com a mentalidade do Evangelho. Isso vale para a pessoa, na sua individualidade, mas também para a pessoa que pertence à comunidade cristã. A vida em comunidade é uma característica típica do discípulo de Jesus. Ninguém pode dizer que é discípulo de Jesus se vive sozinho ou faz uma religião ao seu modo. Ora, se dentro da comunidade alguém começa a deixar de viver a mentalidade do Evangelho, ele está prejudicando o testemunho de toda uma comunidade cristã na sociedade. A correção fraterna, nesse sentido, é uma advertência para que ninguém dê escândalo, ninguém seja pedra de tropeço, ninguém seja impedimento para que o Evangelho possa ser vivido de modo testemunhal. Se alguém na comunidade está dando mau exemplo, ele deve ser alertado para repensar seu proceder e voltar a viver de acordo com a mentalidade do Evangelho.

Testemunhar a vida cristã de modo coerente

A correção fraterna, na comunidade, não é um tribunal para apontar erros dos outros. Isso, aliás, é uma das causas que provoca divisões na comunidade, devido ao clima de desconfiança que se instala, além de fomentar fofocas e até mesmo calúnias. Quem tem a sensibilidade de perceber que o outro está andando por caminhos que colocam sua vida em risco, ou prejudicando a comunidade, tem o dever da caridade de conversar e, a medida que vai conquistando confiança, trazê-lo para o caminho e mentalidade do Evangelho. Isto traz nova compreensão no sentido que duas ou mais pessoas se unem para rezar na intenção de quem é corrigido. Nenhuma correção se faz com ameaças ou imperativos (você tem que fazer isso ou aquilo), mas pela conversa que, pouco a pouco, ajuda o outro a perceber que o caminho e as atitudes que está assumindo irão prejudicar sua vida.

Independência: é segurança e paz

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