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Artigos › 08/01/2019

Política para a paz

Ninguém duvida da necessidade que temos de paz. Paz que não é ausência de conflitos inerentes à vida cotidiana, mas é esperança e caminhar confiante na realização da própria vida. O Papa Francisco escreveu uma “mensagem para o dia mundial da paz” no primeiro dia deste ano. Comento aqui alguns tópicos.

Jesus ao enviar em missão seus discípulos, disse-lhes: “Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: “A paz esteja nesta casa!” (Lc 10, 5-6). Oferecer a paz está no coração da missão dos discípulos de Cristo. E esta oferta é feita a todos os homens e mulheres que, no meio dos dramas e violências da vida, apostam na paz. A “casa”, de que fala Jesus, é cada família, comunidade, país. Antes de mais nada, é cada pessoa.

Existe um instrumento para construir a paz e que chamamos de política. Ela é um meio fundamental para construir cidadania e as obras do homem, mas, quando aqueles que a exercem não a vivem como serviço à coletividade humana, pode tornar-se instrumento de opressão, marginalização e até destruição.

O Papa Francisco assinala que somente é bom político quem serve aos interesses da população. Tomar a sério a política, nos seus diversos níveis – local, regional, nacional e mundial – é afirmar o dever do homem, de todos os homens, para procurarem realizar juntos o bem da cidade, da nação e da humanidade. E isto é caridade!

A função e a responsabilidade política são um desafio permanente para todos que recebem o mandato de servir o seu país, proteger as pessoas que habitam nele, trabalhar para criar condições dum futuro digno e justo onde se respeita a vida e dignidade de cada um.

Todas as pessoas, em especial os cristãos, são chamados a esta “caridade política”. Quando o empenho pelo bem comum é animado pela caridade, tem uma valência superior à do empenho simplesmente secular, do político profissional. A ação política que se inspira na caridade é um programa no qual se podem reconhecer todos os políticos honestos, de qualquer afiliação cultural ou religiosa, que desejam trabalhar juntos para o bem da família humana. A política exercida na caridade pratica as virtudes humanas que caracterizam uma boa ação política: a justiça, a equidade, o respeito mútuo, a sinceridade, a honestidade, a fidelidade.

A propósito, vale a pena recordar as “bem-aventuranças do político”, propostas por uma testemunha fiel do Evangelho, o Cardeal vietnamita Francisco Xavier Nguyen Van Thuan, falecido em 2002:

“Bem-aventurado o político que tem uma alta noção e uma profunda consciência do seu papel. Bem-aventurado o político de cuja pessoa irradia a credibilidade. Bem-aventurado o político que trabalha para o bem comum e não para os próprios interesses. Bem-aventurado o político que permanece fielmente coerente. Bem-aventurado o político que realiza a unidade. Bem-aventurado o político que está comprometido na realização duma mudança radical. Bem-aventurado o político que sabe escutar. Bem-aventurado o político que não tem medo”.

Cada renovação nos cargos eletivos, cada período eleitoral, cada etapa da vida pública constitui uma oportunidade para voltar à fonte e às referências que inspiram a justiça e o direito. Duma coisa temos a certeza: a boa política está ao serviço da paz; respeita e promove os direitos humanos fundamentais e é exercida como caridade, ou seja, um modo de praticar o bem.

A par das virtudes, não faltam infelizmente os vícios na política. Estes vícios enfraquecem a vida democrática autêntica, são a vergonha da vida pública e colocam em perigo a paz social: a corrupção, a negação do direito, a falta de respeito pelas regras comunitárias, o enriquecimento ilegal, a tendência a perpetuar-se no poder…

A paz é fruto dum grande projeto político, que se baseia na responsabilidade e na solidariedade. Mas é também desafio que requer ser abraçado cada dia. A paz é uma conversão do coração e da alma.

Fazemos votos que o novo governo que tomou posse no início deste mês possa governar nosso pais, com base na política inspirada na “caridade” como Jesus ensinou, e não na ganância e submissão ao poder econômico em desprezo às pessoas. Só assim construiremos a paz.

Por Dom Pedro Cipollini – Bispo Diocesano de Santo André

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