Transições

Nossa Paróquia teve sempre grandes mudanças.
Ao longo da história de sua existência, muitos padres
inscreveram os seus nomes até a igrejinha se tornar o que é hoje:
um grande Santuário, morada de Deus e um lugar de Paz

 

Quando terminou pastoreio de Pe. Afonso Hansch na Paróquia Santa Edwiges a caminhada de fé continuou. Nos registros do primeiro livro tombo encontramos anotados as passagens dos padres Regino Garcia e Belisário Campanille, responsáveis pela paróquia, na qualidade de vigários nos anos de 1963 a 1966.

Pe. Regino Garcia tinha chegado em nossa comunidade no dia 10 de dezembro de 1962, dois dias após da saída oficial de Pe. Afonso, sendo empossado na igrejinha de Santa Edwiges, no dia 1º de janeiro de 1963 por mandado do Arcebispo Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, que também era Cardeal da Igreja.

A Missa da vigília do Natal de 1962 foi presidida já por Padre Regino que disse que os atos religiosos foram bem participados pela comunidade. Aliás, nas anotações que os padres fizeram no livro tombo, é interessante de notar como naquele tempo, a participação do povo nos atos religiosos era assim sentida: como presença para assistir. É preciso notar que estamos ainda no tempo da missa em Latim, antes do Concílio Vaticano 2º e da reforma litúrgica, quando o povo não tinha a compreensão da participação consciente, plena e ativa na missa, como viria a dizer anos mais tarde a Constituição Sacrosanctum Concilium sobre a Liturgia.

Sendo assim, também na Semana Santa, aos Domingos e Solenidades de nossa padroeira, a participação do povo que ali alimentava a sua fé e esperança no Senhor acontecia com a Missa “rezada” pelo Padre, a boa freqüência no catecismo ministrado por uma certa Irmã Inês às crianças da comunidade e outros atos religiosos.

No dia 11 de novembro de 1963 Pe. Regino completava o ano de sua “licença” aqui em Santa Edwiges, como assim escreve, entregando o pastoreio da comunidade ao Padre Miguel Ponte, do qual não temos referências no livro tombo e, portanto, não podemos saber qual foi a sua história em meio as paroquianos de Santa Edwiges.

Há uma brecha temporal que muito nos falta, neste resgate histórico da Paróquia Santa Edwiges que são os anos de 1964 e 1965 e que no livro tombo, infelizmente, não estão registrados. Lamentamos profundamente tal fato, caro leitor.

Tendo então, as anotações do Pe. Belisário Campanile, prosseguimos com o nosso resgate histórico sabendo que ele, Pe. Belisário, foi empossado em 15 de fevereiro de 1966 pelo Padre Miguel Conde. De maneira interessante, o novo vigário fez constar no livro tombo, tudo o que ele recebia tanto na casa paroquial, como na igrejinha e que agora tinha que administrar. É uma extensa lista de objetos dos mais diversos que não cabem ser citados aqui.

Foram sete anos que a Paróquia Santa Edwiges teve como seu vigário o Pe. Belisário Campanile que, segundo o próprio, com sacrifício, amor e perseverança realizou seus trabalhos em benefício do povo de Deus que estava aos seus cuidados. Os primeiros quatro anos foram de imensa luta em construir o salão paroquial, reformar toda a capelinha com especial atenção ao altar-mor, a colocação de uma sacristia e uma melhor adequação da residência do padre.

Assim como era seu desejo começou-se a construção de um jardim da infância e pré-primário. Para isso ele aproveitou o espaço que tinha junto à paróquia. Claro que tais construções só puderam ser realizadas com muita dedicação de Pe. Belisário e seus líderes paroquiais da época, sem esquecer obviamente, dos paroquianos e devotos da padroeira dos endividados que através de diversas campanhas e promoções puderam angariar fundos para os projetos serem tocados para frente.

As palavras sacrifício, amor e perseverança eram o lema de atividade do Pe. Belisário que incentivava todos os seus paroquianos em lutar para melhorar a vida paroquial. Não pensemos que não houveram dificuldades. Acredito que elas aconteceram sim, mas foram superadas por pessoas que ainda hoje estão servindo ao Santuário Santa Edwiges.

É muito significativo ver na nossa história, que a preocupação com a vida de fé e mais ainda, a vida litúrgica, era uma preocupação constante dos vigários e párocos que pela Paróquia Santa Edwiges passaram. Com Pe. Belisário Campanile não foi diferente. Ele nos fala que constantemente se preocupava com a atividade religiosa de sua grei. Para dar um bom andamento a isso convidada sempre que podia, os seminaristas do Seminário Central do Ipiranga, os seminaristas da Congregação dos Servos de Maria como da Paróquia São José do Ipiranga e as Irmãs da Congregação da Imaculada Conceição na avenida Nazareth (que são da congregação fundada por Madre Paulina do Coração Agonizante de Jesus). Tudo isso com o intento de “preparar e conscientizar o povo em geral e os meninos e meninas, bem como, os jovens em participar na nova liturgia da missa e nos cânticos pastorais”  (cf. livro tombo).

Como destaque do pastoreio de padre Belisário temos os momentos do Sacramento da Crisma presididas uma por Dom José Lafayette e outra por Monsenhor Ângelo Gianola. As primeiras comunhões neste período de paroquiato alcançavam um número de 100 crianças comungantes e as grandes solenidades do ano como Natal, Semana Santa e Tríduo Pascal eram preparadas pela Cruzada Eucarística, Apostolado da Oração e a TLC.

Pe. Belisário Campanile ressaltou que a sua saída se dava por motivos pessoais, mesmo sabendo que antes disso vinham os motivos comuns e espirituais dos superiores e da população. Não sabemos o que se passou para a sua saída, mas, lhe somos muito gratos por ter inscrito o seu nome nos anais de nossa história de sacrifício, amor e perseverança porque graças a ele e os seus contemporâneos hoje a Paróquia Santa Edwiges é um santuário da morada de Deus e um lugar de Paz

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