Padre Miguel Píscopo

Ele chegou em uma terra estrangeira e não imaginaria o que aconteceria: uma paixão! Na continuidade do resgate de nossa história tendo como centro os 50 anos de nossa Paróquia Santa Edwiges, apresentamos agora o nosso primeiro Reitor, Pe. Miguel Píscopo que hoje é o Superior Geral da Congregação dos Oblatos de São José.

 

Caaraamba! Andiamo, via! Coragem! Estas eram suas expressões mais comuns. Muitas vezes num tom de brincadeira, mas em outras ocasiões as utilizava para “dar o seu recado”. Na caminhada dos cinquenta anos da Paróquia Santa Edwiges a figura humana, paterna e sacerdotal de Pe. Miguel Píscopo, OSJ fez de nossa Paróquia o referencial da fé, da esperança e da caridade cristã no cotidiano dos bairros de Heliópolis e Sacomã.

Pe. Miguel chegou em nossa paróquia para suceder o Pe Álvaro Joaquim de Oliveira, que tinha sido transferido para Roma na Itália, onde deveria desempenhar o ofício de Conselheiro Geral da Congregação. O padre italiano recém-chegado não vinha de sua terra natal, mas sim de outro campo de evangelização, em um outro país da América Latina, o Perú. Nas terras peruanas Pe. Miguel havia trabalhado durante 14 anos e agora assumia um novo desafio: trabalhar no Brasil e na sua maior cidade, São Paulo.

Como o novo pároco estava se instalando era preciso que ele, num primeiro momento, observasse a caminhada da paróquia até ali, ao mesmo tempo em que estudava e aperfeiçoava a língua portuguesa, que seria mais uma dentre outras que já conhecia. Sendo assim, sua posse como pároco não foi instalada de maneira imediata. Foi indicado neste meio tempo em que Pe. Miguel se inculturava, o Pe. Eurico Dedino (ex-pároco) como Administrador Paroquial até a posse definitiva do padre italiano.
Para auxiliar o Pe. Miguel nos trabalhos paroquiais foi indicado pelo conselho provincial dos Oblatos de São José o Pe. Antonio Ramos de Moura Neto, ou simplesmente Pe. Neto, que além de vigário paroquial seria o responsável pela formação dos freis estudantes de teologia.

Marcando a grande renovação da presença Josefino-Marelliana em nossa comunidade, o ano de 1994 foi marcado por uma quase infinidade de acontecimentos importantes, que ressaltamos brevemente: no dia 29 de maio, véspera do dia de São José Marello, foi entronizado no Santuário o quadro do fundador da congregação que naquele período tinha o título de Bem-Aventurado. Tal celebração foi presidida por Dom Celso A. Queiroz, um já grande amigo de nossa paróquia. Temos a impressão que já ali começava a surgir a grande amizade entre o bispo e Pe. Miguel Píscopo, que os anos que se passaram puderam confirmar; depois, no dia de Corpus Christi, 2 de junho, foi inaugurada a Capela da Eucaristia que depois concluída foi abençoada na solene missa do mesmo dia.

Já que a paróquia era considera Santuário, uma das apreensões de Pe. Miguel era o favorecimento de nosso templo religioso ser uma verdadeira casa de oração. Assim como o pároco anterior, Pe. Miguel preocupou-se muito com a oração e a ação, também voltou seus olhos para a caminhada da Obra Social Santa Edwiges objetivando sempre a sua melhoria.

Tendo dado os primeiros passos na condução da Paróquia-Santuário eis que no dia 28 de agosto de 1994, Pe. Miguel recebe das mãos do Bispo Regional do Ipiranga, Dom Celso, por mandato do Arcebispo Metropolitano de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, a posse de pároco da Paróquia-Santuário Santa Edwiges e o Pe. Antonio Ramos de Moura Neto o mandato de vigário-paroquial. A celebração da eucaristia com a entrada do novo pároco e vigário, contou com a presença do Superior Provincial da época o Pe. José Antonio Bertolin, outros padres convidados e claro, a comunidade paroquial.

Um trabalho muito importante que Pe. Miguel procurou empreender foi o da inserção mais próxima dos leigos e leigas como verdadeiros protagonistas da atividade paroquial. Constantes foram ainda no ano de 1994 as formações e instituições de ministérios leigos à serviço do povo fiel de Santa Edwiges, tais como: Ministério Extraordinário da Sagrada Comunhão, Ministério da Palavra, Ministros do Altar, Pastoral da Acolhida e o Ministério das Coordenações das Pastorais.

O ano de 1995, segundo ano de paroquiato de Pe. Miguel, começa a imprimir um ritmo de trabalho intenso, pois, é neste ano que os estudantes religiosos dos Oblatos de São José, os conhecidos Freis, trabalham de forma muito mais presente nas pastorais e movimentos. Junto com Pe. Miguel os Freis foram e ainda são uma valorosa contribuição na formação e crescimento dos leigos e leigas que pela Paróquia Santa Edwiges passaram, passam e ainda passarão. Muitos destes freis hoje são padres e trabalham nas diversas paróquias e colégios da Congregação, tais como: Pe. Antonio Luiz de Oliveira (Ourinhos SP), Pe. Sérgio José de Souza (Três Barras PR), Pe. Ailton Ferreira de Almeida (Curitiba PR), Pe. Orestes Monteiro de Melo (Colniza MT), Pe. Alexandre Alves dos Anjos Filho (Curitiba PR), Pe. Iziquel Radvanskei (Londrina PR), Pe. Devanil Ferreira (atual pároco do Santuário).

Com a equipe de Freis acima mencionada, variando sua composição a cada ano, somada ao grupo de leigos que eram os protagonistas da ação evangelizadora do Santuário Santa Edwiges, o ano de 1995 e os que se seguiram seriam marcados por grandes atividades. Foi ainda no ano do Centenário da morte do Bem-Aventurado José Marello que nossa paróquia recebeu a visita do Superior Geral da congregação naquela época, Pe. Vitto Calabrese para a inauguração do Salão São José Marello, palco de uma série de eventos, formações, apresentações e outras atividades que iam imprimindo um novo jeito de ser Igreja em nossos bairros.

Em menos de dois anos Pe. Miguel Píscopo imprimia uma marca indelével na Paróquia-Santuário Santa Edwiges, que é o cerne da espiritualidade dos monges da Ordem de São Bento, que muito serve para nós: orar e trabalhar. Mas, além disso, a indicação de São José Marello também era e é muito válida: viver o espírito de São José junto aos jovens, nas paróquias, na comunidade, olhando com persistência para a meta ideal com o carisma de trabalhar humilde e silenciosamente como São José, cuidando dos interesses de Jesus.

 Os anos de 1996 e 1997 foram de intensa atividade religiosa como de auxílio aos menos favorecidos. No âmbito da oração, inúmeras foram as participações de nossos agentes de pastoral e colaboradores naquilo que o Ano Litúrgico exigia de nós católicos. Foram destaques em 1996 as ordenações sacerdotais dos Diáconos Ailton Ferreira de Almeida e Antonio Luiz de Oliveira, bem como, os votos perpétuos de Freis que aqui trabalharam. As ordenações e os votos perpétuos, vez por outra, aconteceram nas cidades de origem dos citados e que levaram gente de nossa comunidade a participar com fé e alegria. Também o Casamento Comunitário, os Dias 16 de cada mês com a Novena Anual de Santa Edwiges, a Obra Social Santa Edwiges eram acontecimentos consolidantes da presença da Paróquia Santa Edwiges na Arquidiocese de São Paulo.

Já o ano de 1997 podemos destacar a intensa atividade das pastorais, com um imenso destaque para o grupo de jovens COJOSE (Comunidade Jovem Santa Edwiges), que devido a uma intensa assessoria dos Freis Oblatos de São José, sob o comando do atual Pe. Orestes Monteiro de Melo (que trabalha como pároco em Colniza-MT) dava um rosto e uma identidade à juventude de Heliópolis e Sacomã: jovens josefinos-marellianos. Também a Catequese de Crisma teve o seu destaque no posterior engajamento dos jovens crismados e que assumiriam um novo formato daquela catequese, que era o de jovens evangelizando jovens. A assessoria da Catequese de Crisma era por conta do então Frei Iziquel Antonio Radvanskei, hoje o padre liberado dos Oblatos de São José para as questões da juventude.

As atividades das também catequeses de crianças e adultos tornavam-se referência em nossa comunidade, pela notável dedicação dos Freis Paulo Siebeneicheler (hoje o nosso estimado paroquial, Pe. Paulo) e por Pe. Alexandre Alves dos Anjos Filho (vigário paroquial de nossa comunidade de 2002 até 2006).

É importante ressaltar ainda, que os anos de 1996 e 1997 eram orientados pelas encíclicas papais Novo Milênio Ineunte e a Igreja nas Américas, de Sua Santidade João Paulo II, Papa. Não só estes documentos do Vaticano, como também as disposições da Região Episcopal Ipiranga e da Arquidiocese de São Paulo com os subsídios pastorais do “Projeto Rumo ao Novo Milênio” davam o caráter formativo dos agentes e líderes das pastorais e movimentos de nossa comunidade paroquial.

Tudo o que acima foi citado, parece que não bastava ao nosso pároco italiano. Era preciso mais. E este mais era o lado social. Não temos a referência no Livro Tombo de nossa história, sobre as incidências aos menos favorecidos de maneira direta, mas a experiência pessoal que muitos de nós acompanhamos pelo paroquiato de Pe. Miguel Piscopo era que a Obra Social Santa Edwiges (OSSE) era, além da paróquia e futuro santuário, sua menina dos olhos. Neste sentido, muitos de nós acompanhamos a experiência de consolidação do trabalho da OSSE nos atendimentos dos carentes no que competia à distribuição de cestas básicas, leite em pó e em litros, atendimentos odontológico, psicológico e jurídico nas mais variadas áreas (informática, corte e costura, biscuit, dentre outros)…tudo isso visando a promoção humana, que tanto mexia com os brios de nosso ex-pároco e atual Superior Geral. Um dois mais valorosos trabalhos no âmbito da promoção humanas, foi a criação do Projeto Esperança no cuidado, carinho, atenção e valorização dos portadores do vírus HIV.

Ainda no lado social seria indelicadeza de nossa parte, esquecer que o Lar Sagrada Família (o ambiente de acolhida dos idosos) e a Casa da Criança Santa Ângela (o nosso centro de atenção à educação das crianças e jovens carentes), também tiveram, e cremos que ainda tem, um lugar especial no coração de Pe. Miguel Piscopo, já que ambas eram uma ramificação da OSSE.

Por todo este lado religioso e social de nossa comunidade, comandada e orientada por Pe. Miguel Pisco, com a intercessão de Santa Edwiges nos faz pensar que nunca uma invocação de uma padroeira como a nossa, dos pobres e endividados, soa tão bem à uma realidade como a nossa.
Vê-se pela sucinta atualização do biênio de 1996-1997 que a Paróquia Santa Edwiges, situada na inspiradora Estrada das Lágrimas (lágrimas de um povo pobre, simples, sofrido) pode trazer muita fé, muita esperança e muita caridade a muita gente que por aqui passou e ainda passa.

Pe. Miguel nos últimos dois anos e alguns meses de seu ministério religioso-sacerdotal em nosso meio, tinha alguns empreendimentos a serem realizados ter cumprido a sua meta: a construção da Capela da Reconciliação, a Dedicação da Igreja como casa de oração e a preparação do Jubileu dos 2000 mil anos do nascimento de Jesus Cristo. É isto que vamos juntos reviver no terceiro e último artigo sobre o nosso sétimo pároco e primeiro reitor.

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