Padre Eurico Dedino

Pe. Eurico Dedino nasceu no dia 3 de julho de 1949 em Bela Vista do Paraíso, Paraná. Para quem não conheceu um pouco mais de perto a vida de Pe. Eurico, aqui lançamos algumas luzes e pistas de como foi a sua vida; para aqueles que o conheceram e tiveram a graça de participar de sua amizade e do seu trabalho ministerial, pode se um momento de felizes e graciosas lembranças. As informações que aqui colocamos foram colhidas nos três anos de convivência que tivemos com ele, pelos anos de 2000 até 2003, bem como, por amigos do falecido pároco que com ele conviveram por muitos anos.

Nosso ex-pároco encontrou-se com a vocação à vida religiosa e sacerdotal já com a idade madura, assim como nós que aqui escrevemos sobre este sacerdote assim tivemos. Na maturidade de sua existência o jovem Eurico Dedino, que namorava firmemente e com planos decididos de contrair matrimônio, foi discernindo (compreendendo, tomando consciência) o chamado do Senhor que se intensificava no trabalho que ele realizava junto da juventude de outra paróquia assistida pastoralmente pelos Oblatos de São José, a Paróquia Nossa Senhora de Loreto na zona norte de São Paulo, nossa capital. A Paróquia Nossa Senhora de Loreto tinha uma grande referência com os jovens que ali participavam, dentre eles nosso querido Eurico Dedino e outro conhecido jovem, que anos posteriores veio também fazer presença no Santuário Santa Edwiges, Alfeu Leônidas Teodoro. Os dois eram como que os pilares sustentadores daquele grupo de jovens, o JOUNAC, que pelas informações nos dadas pelo próprio Pe. Dedino tinham nos rapazes e moças daquele discipulado do Senhor, uma energia transformadora da fé católica. Pois bem, embora seus familiares não professassem a mesma fé, Eurico Dedino era uma exceção e participava com afinco de todos os movimentos de ação na paróquia de Loreto.

O jovem Eurico conquistado pelo trabalho pastoral dos padres oblatos que estavam em Loreto, foi paulatinamente amadurecendo a decisão de “cuidar dos interesses de Jesus”, inserido na vida religiosa e sacerdotal. Daí o término do namoro foi uma opção a ser tomada. Depois dos anos da formação religiosa-sacerdotal, a antiga namorada daria um testemunho na ordenação sacerdotal do Padre Dedino. Não obstante a isso, também um horizonte empregatício numa importante instituição bancária, foi igualmente deixado para trás por causa dos mil caminhos pelos quais o Senhor vem ano nosso encontro, e particularmente, ao encontro de Eurico Dedino. Mesmo sendo também o alicerce dos pais doentes, como ele mesmo nos contou, Dedino decide-se pela sua vocação.

Eis, então, que de um momento para o outro o jovem Eurico Dedino estava já inserido na realidade de um Seminário (que quer dizer sementeira) para ser cultivado, podado, transformado de forma radical (no seu sentido de imediato). Esta radicalidade de opção de um novo estado de vida deveria na vida do maduro jovem Eurico Dedino, levá-lo até as raízes mais profundas do seu ser, na percepção das suas vivências até agora, até os fundamentos desta escolha vocacional.

Os seus anos de seminário foram assinalados principalmente pela maneira prática com que lidava com os trabalhos. Nos dizia o Pe. Dedino que nestes tempos foi encarregado de cuidar de um dos padres doentes daquele período, que precisa sempre de alguém por perto. Contava-nos que gostava muito daquilo, pois, sentia-se feliz por auxiliar alguém que carecia de cuidados de caridade mais profunda. Ainda na vida seminarística, o bom relacionamento que mantinha com os demais era uma marca indelével.

Parece que o seminarista Eurico Dedino sempre foi bom, mas, teve também os seus descontroles e destemperos, como qualquer pessoa os tem. Somos todos feitos de “legiões” que por vezes nos “tomam” os sentidos fazendo deles e com eles um mal interno para nós, e um revés externo para as pessoas (cf. Evangelho de Marcos 5, 1-20)

Mesmo o Padre Eurico tinha os seus descontroles, alguns dos quais pudemos constatar, mas nada que fosse superado depois pela conversar. Contamos aqui apenas um “casinho de destempero” de Pe. Eurico quando este companheiro de outro padre conhecido nosso, o Pe. Alfeu, que nos contou que em determinada situação no seminário os dois discutiram feito, em voz alta para que todos pudessem ouvir. Daí, passado algum tempo da ríspida discussão, eis que o Dedino sem que o Alfeu se apercebe-se colocou um recadinho debaixo da porta escrito: “Oi, cê tá melhor?”. Vê-se que mesmo depois de uma discussão Pe. Dedino sempre buscava a reconciliação, pois, sentia a necessidade de cultivar a amizade na compainha dos parentes, confrades e amigos mais próximos.

Se fossemos escrever todas as situações da vida de Pe. Eurico, estas linhas não teriam fim. Por ora, basta-nos saber destas primeiras informações que fizeram do jovem Eurico Dedino enveredam-se nos caminhos do Senhor, buscando “reproduzir na vida o sinal de Cristo e do cristão, que é a caridade comprometida numa sublime experiência de amar primeiro”, como ele mesmo dizia.

Transcorrido os tempos da sua formação no seminário o jovem Eurico Dedino, antes como noviço, emitiu a sua primeira Profissão Religiosa (declaração pública religiosa dos votos de pobreza, castidade e obediência) no ano de 1974 em Curitiba, capital do estado do Paraná e sede da Província Nossa Senhora do Rocio da Congregação dos Oblatos de São José. Deste passo em diante aquele jovem passava a ser conhecido como Frei Eurico Dedino.

Acreditamos que o trabalho de Frei Dedino não se distanciava dos trabalhos dos freis que nos são contemporâneos, ou seja, que vivem e atuam nas realidades onde os Oblatos de São José estão presentes na atualidade, tais como: a educação cristã da juventude, o apostolado dos leigos, a assessoria pastoral nas paróquias, etc. Com certeza Frei Dedino deve ter trabalhado com afinco, nestes campos da missão e carisma josefino-marelliana.

Depois de realizada a sua Profissão Perpétua dos votos religiosos, bem como, tendo recebido as ordens menores do leitorato (…), acolitato (serviço do altar) e diaconato (primeiro grau do Sacramento da Ordem), Eurico Dedino recebeu a ordenação sacerdotal no dia 24 de Janeiro de 1982. Imediatamente depois de sua ordenação ele foi nomeado pároco de Santa Edwiges, sendo empossado pelo grande amigo da Paróquia e depois Santuário Santa Edwiges, Dom Antonio Celso de Queiroz, Bispo Auxiliar de São Paulo para a região do bairro do Ipiranga. Hoje, Dom Celso dirige a Diocese de Catanduva no Estado de São Paulo.

Começaria então uma relação marcante de amor e caridade entre o padre e seu rebanho. Padre Dedino e Dom Celso mantiveram uma relação de intenso carinho e amizade e pensamos que foi isso que marcou Dom Celso como grande amigo de nossa comunidade, mesmo depois da saída de Padre Dedino e ingresso de seus sucessores no comando paroquial.

Na primeira passagem de Pe. Eurico Dedino na paróquia (1982 até 1988), o jovem padre já imprimia um dinamismo muito forte naquela pequena capelinha. Em pouco tempo já lhe foi enviado um auxiliar, o irmão Antonio Barbosa Soares, que tinha recém emitido os votos religiosos. Outros colaboradores vieram ajudar Pe. Eurico na condução da paróquia, como por exemplo, o Pe. Arlindo de Souza Trindade.

A dedicação do Pe. Dedino e de seus colaboradores leigos era, sobretudo, o da impressão da vida celebrativa da fé e o compromisso da caridade cristã em meios aos pobres da “favela” Heliópolis, muito pelas obras sociais da paróquia. Pelo arquivo fotográfico que dispomos em nossa comunidade, podemos verificar que a fé estaria morta se, por ventura, estivesse isolada da prática das boas obras. Isso era um sinal de que Pe. Dedino e os líderes leigos da paróquia entendiam quem tinha sido a sua padroeira, Santa Edwiges.

Parafraseando o prefácio litúrgico de Santa Edwiges, podemos dizer sem medo de errar, que naquela situação histórica da década de 80, Pe. Dedino e os seus colaboradores foram“os pais prudentes e solícitos do povo, que abriram generosa suas mãos para os pobres, cuidando com carinho dos necessitados. Guiados pelo Espírito Santo, preferiram e ainda preferem o amor do Crucificado ao poder terrestre e ao prestígio do mundo, tornando-se servidores de todos”. (cf. Prefácio de Santa Edwiges. Missal de Santa Edwiges).

A vida ativa do pároco e dos fiéis paroquianos e devotos faziam com que a pequena capelinha do Sacomã, começasse a ser frequentada por inúmeros fieis provenientes de muitos bairros e até municípios de São Paulo. Os dias 16 de cada mês com a celebração votiva do dia de Santa Edwiges, culminando com a festa patronal em 16 de outubro eram motivos de grande afluxo de povo para honrar a Deus em Jesus Cristo, por intercessão de sua serva, a padroeira da Polônia. Em vista disso, em 1º de agosto de 1983, após meses de reuniões e estudos, as primícias da construção da nova igreja começaram. Colocados os fundamentos, erguidas as paredes, feita uma primeira cobertura no novo templo o futuro Santuário foi tomando corpo. Em períodos distintos foram auxiliares do Pe. Dedino os confrades Pe. Mário Guinzoni, Pe. Arlindo de Souza Trindade e Pe. Pedro Soares Sobrinho.

Com os seus auxiliares padres e leigos Pe. Dedino continuava a imprimir o ritmo paroquial em Santa Edwiges, com as missas festivas (da padroeira, primeiras comunhões, páscoa), festas de arrecadação (festa junina, bailes comunitários), participação nos movimentos de evangelização da Arquidiocese de São Paulo e Região Episcopal Ipiranga e ainda, não menos importante, os acontecimentos da Congregação dos Oblatos de São José.

Ainda sob a orientação do Pe. Dedino os estudantes de Teologia do ano de 1987, Freis Antonio Neto (hoje o Pe. Neto) e Antonio Rodrigues (hoje Irmão Rodrigues) participavam da vida paroquial de Santa Edwiges, já que tinham sido transferidos da Vila Medeiros para a nossa paróquia.

Muitas foram as atividades desenvolvidas por Pe. Dedino que não caberiam aqui nestas páginas do Jornal Santa Edwiges, mas que com certeza foram implementadas e realizadas na paróquia, dado o seu gosto de buscar, conhecer e inserir novos trabalhos tanto na vida paroquial como na Congregação dos Oblatos de São José.

A primeira passagem de Pe. Dedino na paróquia teve seu término em 9 de janeiro de 1988, data em que ele passou a administração da Paróquia Santa Edwiges ao Pe. Álvaro de Oliveira, que fora nomeado como novo pároco de nossa comunidade.

Passado o mandato de dois párocos, eis que no Ano Santo Jubilar de 2000, no dia 8 de maio, Pe. Eurico Dedino volta a organizar a Paróquia Santa Edwiges, já elevada e consagrada como Santuário Santa Edwiges, sendo novamente seu pároco e também reitor. Seria esta a sua última passagem por aqui até o ano de 2003. Nos últimos três anos que esteve em Santa Edwiges, Pe. Dedino procurava impulsionar a nova dimensão que a paróquia comportava em si, que era e é a de um Santuário de grande concentração de peregrinos, devotos e paroquianos, que pelo intenso convívio litúrgico buscavam e ainda buscam, um contato mais próximo de Deus e do próximo. Com vigor Pe. Dedino procurava “reprisar o bom trabalho” da primeira passagem sua na nossa paróquia, pois, agora como Santuário o serviço era maior.

Nosso ex-pároco começava já em 2002 a apresentar os primeiros sinais de cansaço, devido a seus males de saúde, que os mais próximos dele sabiam quais eram. Por isso, no início do ano de 2003 Pe. Dedino foi transferido para uma paróquia “menos empenhativa”, que era a São Francisco de Assis em Curitiba, PR. Durante uma viagem de retorno de Londrina até Apucarana, ambas no estado do Paraná, Pe. Dedino sofreu uma forte crise respiratória e deu entrada com urgência na Santa Casa de Misericórdia de Cambe, onde veio a falecer de colapso cardíaco às 22h50 do dia 28 de julho de 2003.

A notícia de seu falecimento pegou a muitos de surpresa, e logo foram feitos os processos de traslado do corpo até a sua última paróquia em Curitiba para velório, missa de corpo presente e sepultamento. Seu corpo descansa no túmulo dos padres Oblatos de São José em Curitiba PR.

Quem conheceu o Pe. Dedino sempre se lembrará dele como um religioso feliz e dedicado na Congregação, um padre esforçado na paróquia, demonstrando em ambos a espiritualidade e a grande capacidade de fazer amigos. Que ele, do céu olhe por sua paróquia” Santa Edwiges e que com ela interceda por nós junto de Deus o Pai.

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