Padre Álvaro de Oliveira

Chegou a vez de falarmos do Padre Álvaro Joaquim de Oliveira, um português que veio residir no Brasil com a família em 1954 instalando-se em Apucarana, PR.

Padre Álvaro foi o sucessor do Padre Eurico Dedino, e o quarto padre oblato a assumir a Paróquia Santa Edwiges desde que ela foi confiada à Congregação dos Oblatos de São José, no ano 1973. Sua nomeação ocorreu em nove de janeiro de 1988, e a posse efetiva em sete de fevereiro do mesmo ano. Na época o Bispo Auxiliar de São Paulo para a nossa Região Ipiranga era Dom Antonio Celso de Queiroz, atual Bispo de Catanduva, SP. Foi ele quem confirmou Padre Álvaro como pároco. Foi designado como vigário paroquial para ajudar o novo pároco naquele período o oblato de São José Padre Mário Briatore (falecido em 2003 na Itália) que, aliás, era muito estimado pela comunidade paroquial.

Um dos principais objetivos do novo pároco naquela época era o de realizar celebrações litúrgicas que fizesse o povo transbordar de alegria. Era destacado o fato de todos estarem na presença de Deus e conversando com Ele. Era um intenso ato de valorização da Paróquia que já se transformava em “Santuário”. Mensalmente milhares de devotos e fiéis se uniam aos paroquianos para honrar Santa Edwiges. De fato, o Santuário é por excelência o lugar do convívio litúrgico da comunidade. Eram notórias as celebrações da Semana Santa de nosso Santuário como um real acontecimento da aliança entre Deus e os homens.

Claro que nem tudo era só celebração, pois, conhecendo a cada dia a realidade local da Paróquia que naquele tempo era marcada com o crescimento da Favela Heliópolis (hoje o bairro Cidade Nova Heliópolis, que quer dizer “cidade do sol”), Padre Álvaro, determinado a dar continuidade ao trabalho social já iniciado pelo seu antecessor Padre Dedino, procurava atender no que podia às necessidades dos mais carentes, ampliando o que já existia e reestruturando o que era necessário, com a ajuda dos colaboradores leigos.

No âmbito social, no atendimento aos menos favorecidos de Heliópolis e até do Sacomã, Padre Álvaro teve o auxílio muito válido de diversos colaboradores que faziam as obras sociais acontecerem. Eram realizadas com frequência a prática do reforço escolar, o atendimento psicológico, a saúde dentária, a catequese na favela, a formação humana. A somatória de Padre Álvaro com seus colaboradores leigos resultava em um amplo trabalho de promoção humana, que depois da compra do terreno para a instalação da Obra Social Santa Edwiges (OSSE) pôde ser mais extensa.

As atividades pastorais eram bem desenvolvidas não só por Padre Álvaro, mas também pela atuação das lideranças daquele período de nossa história. Foi com as equipes de coordenação paroquial de seu tempo que surgiu a assembléia paroquial, um referencial de trabalho em uma Paróquia. Nas anotações do Livro Tombo n.º 1 (livro de registros históricos da Paróquia), pudemos constatar, sinteticamente, que Padre Álvaro aliava a oração com a ação. Rezava-se antes para se trabalhar depois. Constantes no livro tombo são as anotações sobre missas, espiritualidades, formações da fé na comunidade paroquial, bem como, a realização do trabalho social pela nova sede da OSSE que teve celebrado o seu primeiro aniversário de atividades em 17 de setembro de 1990.

Através de seu olhar observador, aliado ao lado espiritual, Padre Álvaro procurava sempre dinamizar a caminhada do povo de Deus, ouvindo as lideranças da época de seu pastoreio para ter chaves de leituras claras. Assim ele podia fazer acontecer os eventos conformes às necessidades. De fato Padre Álvaro reconhecia que a progressão do povo de Deus requeria sempre oração e espírito de observação, mas ao mesmo tempo uma constante abertura para ouvir as lideranças e ir tomando decisões. Tratava-se de um processo continuado, que às vezes emperrava por causa de atritos mais sérios. Porém era sempre preciso ter paciência, orar, reanimar as lideranças e continuar o rumo aos objetivos traçados.

Acreditamos que graças ao registro histórico, não só no papel, mas também na mente de cada um que conviveu e convive em nossa Paróquia-Santuário Santa Edwiges, é que estas linhas podem agora, em 2009, ser escritas. Evidentemente que muita coisa falta e poderia ser agregada como registro de grande valor histórico.
O Jornal Santa Edwiges pode ser o que é hoje (um informativo e formativo de nossa Paróquia) graças à criação do primeiro boletim informativo que Padre Álvaro lançou com o nome de “Outra Vida”. Ela era feito com folhas de “papel sulfite” e trazia de maneira simples os acontecimentos da nossa Paróquia, Arquidiocese e Região Episcopal.

Depois de empreender muitos trabalhos nos campos da espiritualidade e da ação social nos primórdios de seu paroquiato em Santa Edwiges, Pe. Álvaro juntamente com a sua equipe de coordenadores e colaboradores leigos teve uma imensa responsabilidade pela frente: a inauguração oficial do Santuário Santa Edwiges que desde muito tempo já era um local de peregrinação de fiéis e devotos da santa polonesa provenientes de diversas partes da cidade de São Paulo e até mesmo de diversos estados do Brasil.

É preciso ressaltar que Pe. Álvaro não pensou nisso tudo sozinho, pois, sempre contou com o auxílio de seus colaboradores diretos, tais como: o vigário paroquial (Pe. Hilton Carlos Soares OSJ), lideranças leigas, bispo regional, dentre outros. Foi pensado juntamente com as lideranças paroquiais que já se podia inaugurar o Santuário Santa Edwiges porque este já tinha o piso de granito terminado e também o presbitério; também a estátua de Santa Edwiges que está até hoje à frente de nosso templo também já estava pronta e instalada junto da grande cruz externa.

Assim, através do conhecimento que Pe. Álvaro tinha dos Superiores de Roma, foi conseguida a vinda de um representante do Papa João Paulo 2º (chamado de Legado Pontifício) para presidir a missa e bênção inaugural de nosso templo religioso. Isso aconteceu na grande festividade de nossa padroeira no dia 16 de outubro de 1991, na missa das 15 horas, que pela presidência litúrgica de Dom Ferdinando Maggiori aconteceu a grande inauguração do Santuário Santa Edwiges.

A missa de inauguração foi celebrada a partir dos degraus de acesso à igreja dado o grande afluxo de povo, que não seria comportado se a missa fosse participada de dentro do templo. O cálculo geral naquele dia foi estimado em mais de vinte mil pessoas. Além disso, aconteceu a grandiosa procissão em honra de nossa padroeira, contando ainda com a presença do Legado Pontifício e de três carros alegóricos representado neles a igreja antiga, o novo santuário e a “imagem viva” de Santa Edwiges em meios aos pobres que, em vida, tanto serviu.

Com o Santuário inaugurado era preciso que a vida transcorresse normalmente. Assim, as pastorais e movimentos nas primícias da década de noventa, iam crescendo e se solidificando. Destacam-se as catequeses das crianças para a primeira comunhão e dos jovens para a crisma. A Pastoral da Criança também tinha uma ótima participação na já Paróquia-Santuário Santa Edwiges. O brilho das celebrações eucarísticas era mantido com a graciosa e amiga presença de Dom Celso, Bispo da Região Ipiranga na época. Mais uma vez ele vinha presidir a Semana Santa com a Missa do Domingo de Ramos, isso no dia 12 de abril de 1992.

O ano de 1993 daria início ao final da caminhada paroquial de Pe. Álvaro Joaquim de Oliveira em nossa comunidade. Foi neste mesmo ano, no dia 26 de setembro, que São José Marello, fundador da Congregação dos Oblatos de São José foi proclamado Beato da Igreja, que é um passo antes de ser proclamado santo. Consta no livro tombo de nossa paróquia que daqui saiu uma delegação para o evento na cidade de Asti, Itália com 51 pessoas.

Com a inauguração do Lar Sagrada Família em 19 de dezembro o ano de 1993 se encerrava. O lar para idosos ainda existe hoje sendo parte integrante da Obra Social Santa Edwiges (OSSE).

Pe. Álvaro deixou a função de pároco de nossa paróquia no dia 3 de abril de 1994, fato este devido à sua eleição como Conselheiro Geral da Congregação dos Oblatos de São José por um período de seis anos, onde deveria transferir-se para Roma na Itália, para poder auxiliar a congregação que dirige nossa paróquia desde 1973 agora num âmbito internacional.

Com estas linhas encerramos mais uma passagem, mais uma história de nossos párocos. Como dissemos no artigo anterior, Pe. Álvaro hoje reside na America do Norte, nos EUA, onde desenvolve ativamente o seu ministério sacerdotal.

Perguntado a ele em uma entrevista anterior a este artigo, sobre como devemos celebrar os nossos cinquenta anos de Paróquia Santa Edwiges, ele nos indicou o seguinte: É bom nunca esquecer que a nossa função — ou melhor, missão — é sempre a espiritual. Portanto, na comemoração do ano jubilar, nada melhor do que fazer celebrações litúrgicas maravilhosas, capazes de tocar o coração do povo e levá-lo a louvar e recordar os fatos históricos, as pessoas mais significativas, as dificuldades e as vitórias da caminhada, um pouco como nós lemos na Sagrada Escritura a respeito do povo eleito. Tudo isso pode e deve ser enfeitado e abrilhantado, mas é o cerne das comemorações, assim como a epopéia da saída do Egito para o povo hebreu.

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