Padre Afonso Hansch, SDN

Discípulo de Cristo, Filho de Maria, imitador de Santa Edwiges: assim podemos identificar o primeiro Pároco de nossa Paróquia

Discípulo e Missionário de Jesus Cristo! Acredito que o tema da 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino Americano e do Caribe (CELAM), realizada de 13 a 31 de maio de 2007, em Aparecida, se aplica muito bem ao Padre Afonso Hansch, SDN, que foi o nosso primeiro pároco, à época chamado apenas de vigário.
Ao debruçar-me sobre o livro tombo número 1, e podendo aventurar-me sobre as primícias pastorais de nossa comunidade, pude perceber que o Padre Afonso muito se preocupou em fazer acontecer a história da paróquia pela vivência dos Sacramentos e da ação social. Ele não ficou parado e esperando as pessoas chegarem até a igrejinha, mas, saiu à procura delas como faz o bom pastor que cuida das suas ovelhas.
Lendo um trecho do Documento de Aparecida (número 12), fica muito claro que Padre Afonso “antecipou” os dizeres do nosso atual Papa, Bento 16, que diz: Não resistiria aos embates do tempo uma fé católica reduzida a uma bagagem, a um elenco de algumas normas e de proibições, a práticas de devoção fragmentadas, a adesões seletivas e parciais das verdades da fé, a uma participação ocasional em alguns sacramentos, à repetição de princípios doutrinais, a batizados. Nossa maior ameaça “é o medíocre pragmatismo da vida cotidiana da Igreja, no qual, aparentemente, tudo procede com normalidade, mas na verdade a fé vai se desgastando e degenerando em mesquinhez”. A todos nós toca recomeçar a partir de Cristo, reconhecendo que “não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande idéia, mas pelo encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá um novo horizonte à vida e, com isso, uma orientação decisiva.

De fato  Padre Afonso preocupava-se muito com  o andamento pastoral de sua igrejinha, não só pelo fato de a freguesia (naquele tempo a Paróquia era denominada freguesia), pois o retrospecto que ele faz do ano de 1961, balanceado com 36 casamentos, 128 batizados e uma participação nas Missas com uma média e 400 pessoas, era considerado muito pouco para ela por que as pessoas já naquele período histórico, preferiam “ir casar e batizar” em paróquias mais ricas e vistosas. O primeiro pároco saiu em missão muitas vezes para verificar qual era a situação religiosa de seu povo, pois muitos casais viviam sem o Sacramento do Matrimônio, muito pela ignorância e mais ainda o desinteresse religioso. Ora, se os casais já viviam assim, imagine a fraca ou quase inexistente transmissão da fé aos pequenos?

Não se deixando abater pela falta de ovelhas Padre Afonso foi realizando o seu trabalho. Assim, sacrificou a bela quantia de Cr$ 1.000.000,00 (um milhão de cruzeiros) para a aquisição de uma sala de aula para ensino aos adultos no período noturno, com uma professora cedida pelo Estado. Assim começou aos sete de março de 1962 a primeira aula com 37 matriculados.

De 15 a 22 de abril de 1962 a Paróquia celebrou sua segunda Semana Santa, com um programa de horários similar ao do ano anterior, com exceção dos horários à mais de cerimônias. Um caso muito interessante é que naquela época a participação dos fiéis era contada como se fosse uma estatística: contava-se muito o número de comunhões, confissões, casamentos e batizados.

Foram realizadas as celebrações em honra da Mãe de Deus no mês de Maio, com as famosas coroações da imagem e quermesse. Esta última foi deixada de lado por causa de um parque de diversões que se instalou no mesmo período. Parece-me que até hoje sofremos com isso, mesmo por que antes de nossos atuais períodos de festividades também “sofremos” com parques “vizinhos”.

Aos 17 de Junho a Paróquia tomou parte na Romaria à Aparecida, em união com várias paróquias vizinhas. Um total de seis ônibus saiu em direção à casa da Mãe de Deus com o título de Conceição Aparecida. Fato curioso é que o nosso primeiro vigário deixa relatado que esta Romaria não deixaria saudades, devido ao fato de ônibus quebrados e também por motoristas mal educados na estrada.

Com o fraco rendimento obtido na quermesse do mês de Maio, Padre Afonso, com o parecer da comissão, não deu encaminhamento à construção da escola, mesmo porque no fim do ano haveria a troca de Vigário da Igreja. Decidiu-se assim continuar as obras do templo acabando a parte interna da matriz e a sua reforma total. O que foi feito para o término da construção foi o seguinte: rebocos da parte interna, colocação do forro, vitrais, lustres e, por fim, a pintura e instalação da via sacra que ainda não tinha sido abençoada.

A segunda grande solenidade de nossa padroeira, parece ter sido menos movimentada que a do ano anterior, com a abertura dos festejos em cinco de outubro daquele ano de 1962. Como disse acima, mais uma vez se contava a participação dos fiéis como numerário. Ao que nos consta era uma preferência deixar as primeiras comunhões das crianças para este período festivo, que era o da solenidade da Padroeira (o mês de outubro, com a culminância no dia 16), para se ter um bom número de presentes. Naquele ano 85 crianças receberam pela primeira vez a comunhão.

Apenas dois anos, mas que foram de grandes conquistas: 1961 e 1962. Padre Afonso Hansch, em nome da Congregação dos Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora, deixou a Paróquia Santa Edwiges ao seu sucessor o Padre Regino Garcia, do clero secular, nada mais anotando no livro tombo, mesmo porque, ele mesmo cita, não havia mais nada a ser transcrito, faltando ainda um resumo da vida espiritual e de alguns pertences paroquiais.

Deus  quis preparar a vinda de seu Filho, nosso Senhor, pelo seio, isto é, o ventre puríssimo e sem mancha de Maria, nossa Mãe. Interessante é notar que nossa casa de oração, primeiro surgiu sob a proteção de Maria Santíssima pela Congregação dos Missionários Sacramentinos, recebendo assim, a plenitude da bênção do Pai. Atualmente, nossa comunidade é dirigida pelos Oblatos de São José. José foi pai legal de Jesus, pois lhe deu o nome, a educação e a fé. Foi sob o patrocínio de São José, pela Congregação criada pelo Bispo, Fundador e Santo italiano, José Marello, que o Santuário Santa Edwiges pôde ser criado e dedicado, sendo por fim um grande centro de celebração da fé.

 

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