Nossa história, quem a faz?

Chegamos ao fim de uma série de artigos que tomados por base as anotações dos livros tombos, nos forneceram preciosas indicações dos momentos que nossa paróquia pode viver. Aqui referendamos o início do paroquiato de Pe. Paulo Siebeneichler nosso atual Pároco e Reitor. Por último, somos convidados a pensar para frente com a proposição da seguinte pergunta: Nossa história, quem faz?

Em muitos dos artigos aqui publicados sobre os 50 anos de nossa Paróquia Santa Edwiges, uma das coisas que pode ser mais evidenciada foi a visão de conjunto dos nossos párocos na direção pastoral de nossa comunidade paroquial. Notamos que nossos pastores não optaram por guiar sozinhos o caminho do anúncio de Jesus Cristo, afinal nossos padres em muitos ambientes não conseguiam chegar, contando assim com o interminável apoio de nós leigos, católicos não ordenados.

A história de nossos 50 anos de comunidade (a ser comemorados com grande entusiasmo no dia 21 de abril) nos convida a renovar a nossa adesão de inteligência e de vontade ao serviço de Deus e aos irmãos e irmãs em Cristo. Há algum tempo atrás pensávamos que sempre é preciso renovar os ambientes, fazendo com que pessoas que em muitas ocasiões serviram a comunidade já poderiam deixar suas funções. Nada mais errado. No serviço do Reino não é necessário afastar-se, mas constantemente voltar à novidade que é Cristo.

 

Pe. Paulo é oriundo do Rio Grande do Sul, mas por muito tempo fixou raízes familiares no estado do Paraná. Na cidade de Três Barras do Paraná junto de seus íntimos, pode experienciar Deus na ação concreta da história. Pela simplicidade familiar e intensa vida cristã é que o nosso novo pastor paroquial buscava as fontes de uma melhor ajuda ao Povo de Deus. Tendo entrado para a Congregação dos Oblatos de São José, o jovem Paulo pode então enveredar pelos caminhos da vocação, mergulhando profundamente nas vivências que a vida religiosa requer: vida de comunidade, união com Deus no escondimento e no trabalho, na dedicação dos interesses de Jesus, assim como queria São José Marello.

As incursões no mundo intelectual foram assimiladas por Pe. Paulo nos cursos de Filosofia e Teologia, áreas estas que habilitam o candidato à vida sacedotal. Durante 4 anos é que o Frei Paulo na época conheceu a estrutura do Santuário Santa Edwiges, sendo o assessor da Catequese e da Infância Missionária. Isto ocorreu por volta dos anos 1998 até 2001. Em 3 de novembro de 2001 recebeu a ordenação presbiteral pelas mãos de Dom Armando Círio, OSJ Arcebispo emérito da Diocese de Cascavel. Posteriormente fora designado a atuar na frente missionária do Mato Grosso, como vigário paroquial naquelas terras de missão, fazendo divisa com o estado do Amazonas. Após o período de serviço no Mato Grosso, Pe. Paulo transferiu-se para Curitiba-PR, a fim de exercer a função de formador de seminaristas estudantes de filosofia, cargo este que desempenhou por um ano.

No ano de 2008 depois das experiências missionárias e formativas pela Congregação dos Oblatos de São José, foi encarregado como vigário paroquial de nossa comunidade. Consciente de que deveria estar à disposição do então pároco-reitor da situação, Pe. Devanil Ferreira, naquilo que a direção pastoral da comunidade requeria Pe. Paulo pode então somar forças para que o desenvolvimento paroquial e de um santuário promoveria.  Uma das atuações de frente que Pe. Paulo pode levar com mais afinco foi a Pastoral Missionária, já que ele é o assessor dos Oblatos de São José nesta circunstância. Ora, o trabalho foi de continuidade e novos desafios já que Pe. Neto, atual provincial da congregação, foi quem redefiniu as incursões da Pastoral Missionária da paróquia.

Para não ficarmos só no contexto da missão que por si só é uma bela referência, é preciso ressaltar um dos grandes trabalhos de Pe. Paulo em nossa comunidade ainda em 2008, ano de sua chegada aqui. A assembleia paroquial daquele ano foi muito bem elaborada por ele principalmente na atitude de rever a história do povo que compõe a nossa realidade, ou seja, os bairros de Sacomã e Heliópolis.

Com muita perspicácia e vontade de interesse, Pe. Paulo, juntamente com uma assessoria leiga e também com o moderador daquele assembleia paroquial, Pe. Neto, fez os cruzamentos de dados e das fontes vivas, percebendo que a realidade cultural mudou, como também mudaram os processos de incursão na educação, na realidade trabalhista e até mesmo na apresentação da realidade divina no acontecimento histórico da sociedade.

É com esta percepção das vivências em que está mergulhado a parcela do Povo de Deus na Arquidiocese de São Paulo, em nosso bairros de Heliópolis (a cidade do Sol) e Sacomã é que Pe. Paulo assumiu a direção pastoral de nosso Santuário no dia 7 de fevereiro de 2010. Sim, ele agora nos guia como assim guiaram-nos, até a sua posse, seus sucessores, os padres já falecidos e que fazem sua Páscoa com Cristo e os que ainda desempenham o ministério em outras frentes pastorais.

A nova condução e empenho que esperamos que nosso novo pastor paroquial nos dê, é aquela que supere o que há muito já foram vividos, e que requer uma novidade. Que respeite o foi conquistado e vivido, como sinais de Deus na nossa história. Sim, de fato já superamos as estruturas habitacionais pobres, para algo mais digno – dos barracos para a alvenaria –, os jovens não tem mais o ensino médio como meta a ser conseguida para ingressar no mercado de trabalho, mas sim a realidade acadêmica da universidade espaço este da busca do saber a sua aplicação com moralidade e ética. Depois, o surgimento de múltiplas expressões de cultura que querem ter o seu espaço junto da Revelação da fé, como é o caso de muitos jovens e crianças nossas que ingressam nas áreas da música e artes cênicas.

Sim, agora a Paróquia Santa Edwiges conta com Pe. Paulo Siebneichler, que agora começa com novo ânimo, proposições e vontade. Tudo isso com inteligência e espírito no temor de Deus, um temor reverente e de serviço, é claro. Esperamos que nosso novo pároco e reitor seja realmente, aquele sacerdote repleto do espírito de Deus e da força exemplar de Jesus Cristo, possuidor do reto ensinamento católico, ou seja, universal, comunicando a mensagem de Deus aos povos, ao seu povo, povo de Santa Edwiges.

Finalizando este espaço, denominado “nossa história”, somos convidados a responder uma pergunta: Nossa história, quem a faz? Para responder esta interrogação não é bom usar de jargões e frases prontas. Às vezes, isso requer uma teoria e uma prática. É preciso antes ter uma visão de nós mesmos (contando com a singularidade de cada um), para depois termos uma visão do completo, uma visão do conjunto, uma visão de mundo.

Arrisco a dizer que quem faz a história são aqueles que a testemunham com os olhos, com os ouvidos, com a boca. É preciso considerar nisso a influência de Deus e a natureza da ação humana.

Compartilhe e evangelize: