50 Anos – Jubileu de Ouro

Os últimos anos de trabalho do padre italiano, hoje Superior Geral dos Oblatos de São José, prepararam-nos para a chegada do novo milênio da era cristã. Depois de nos confirmar como Igreja em vários âmbitos Padre Miguel retorna para a Itália para cuidar dos interesses de Jesus na congregação.

 

Ao longo de muitos artigos publicados neste espaço, pudemos consultar a história de nossa Paróquia-Santuário Santa Edwiges. São quase cinquenta anos (1969-2010) que nos confirmam na caminhada de Igreja na Arquidiocese de São Paulo e no Brasil.

Neste artigo terminaremos de relatar a passagem de Pe. Miguel Piscopo, osj oitavo pároco e primeiro reitor deste Santuário Santa Edwiges. Nos dias atuais ele é Superior Geral da Congregação dos Oblatos de São José, que há 90 anos está presente no Brasil e há 36 anos dirige e orienta a nossa comunidade paroquial.

Depois de muitos empreendimentos de consolidação da presença da Paróquia Santa Edwiges nos bairros de Sacomã e Heliópolis, Pe. Miguel e seus colaboradores leigos, religiosos da congregação e voluntários começavam a dar um qualitativo importante ao nosso espaço de presença religiosa católica: o de Santuário. Ora, para ser considerado um Santuário uma igreja paroquial necessita ser uma referência à fé do povo, que lá peregrina e presta seu louvor a Deus por meio do santo ou santa que lá se tem por padroeiro/a. De forma mais precisa o Código de Direito Canônico no cânon 1230 nos ensina: “Com o nome de santuário se designa um lugar sagrado ao qual, por um motivo peculiar de piedade, acodem em peregrinação numerosos fieis, com aprovação do Ordinário (bispo) do lugar”.

Há muitos anos nossa comunidade foi e é fiel naquilo que se pede para a elevação de um santuário católico – local sagrado com grande peregrinação de fieis – então, já poderia contar com o qualitativo que lhe imprime a marca. A Congregação dos Oblatos de São José sensível a esta observância e por meio de seu pároco, Pe. Miguel, e pelo Superior Provincial na época, Pe. José Antonio Bertolin solicita ao então Arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo ‘Cardeal’ Arns que eleve a paróquia da padroeira dos pobres e endividados a Santuário Santa Edwiges. (leia o decreto a seguir).

É interessante notar ainda no Código de Direito Canônico, outras importantes ações de referência para que uma paróquia seja elevada a santuário, como é o nosso caso. Isto está bem explicado no cânon 1234 § 1: Nos santuários se deve proporcionar abundantemente aos fieis meios de salvação, predicando com diligencia a palavra de Deus e fomentando com esmero a vida litúrgica principalmente mediante a celebração da Eucaristia e da penitência, praticando também outras formas aprovadas de piedade popular.

O grande objetivo foi alcançado! Hoje somos mais do que paróquia, mas isso não quer dizer que sejamos os melhores e os absolutos na caminhada de Igreja. É preciso sempre ir além, tendo como meta o Reino de Deus. Lembra-nos São José Marello: “Uma vez fixada a meta, nem que o céu venha abaixo, é preciso olhar para ela, sempre para ela”.

Nossa caminhada pastoral com o Pe. Miguel Piscopo intensificava-se cada vez mais, com destaques para as liturgias da Semana Santa, os Dias 16 de cada mês celebrando a novena de Santa Edwiges, as ações de promoção humana desenvolvidas pela Obra Social Santa Edwiges dentre outras coisas.

Chegado o ano de 1998 muitas coisas eram desenvolvidas pela então Paróquia-Santuário Santa Edwiges. Estávamos a pleno vapor com as propostas da Igreja Universal (Católica) e da Igreja Particular (Arquidiocese de São Paulo). Pela Igreja Universal éramos motivados pelo saudoso Papa João Paulo II que através de sua Carta ApostólicaTertio Millennio Adveniente (O Terceiro Milênio que se aproxima), bem como pela Bula de Proclamação do Grande Jubileu do Ano 2000 nos preparava para o início do novo milênio da era cristã. Na Arquidiocese de São Paulo nossa paróquia caminhava a partir das diretrizes do Projeto de Evangelização da Igreja no Brasil em preparação ao Grande Jubileu do Ano 2000 Rumo ao Novo Milênio.

Pe. Miguel entendia muito bem que para sermos uma verdadeira igreja paroquial, particular, universal era preciso estar bem orientados. Assim, ele não media esforços no âmbito formativo dos leigos que compunham as pastorais e movimentos que animavam a comunidade Santa Edwiges. No ano de 1998 e também em 1999 muitas foram as formações para entender o que é uma igreja participativa que tem como meta a salvação no Reino de Deus. Estas muitas formações que nossa paróquia propiciou e ainda propicia a muitos de nossos líderes possibilitaram para o santuário ser uma grande referência particular na Arquidiocese de São Paulo.

O de 1998 foi pleno também de celebrações particulares para a paróquia e para a Arquidiocese de São Paulo: em nossa comunidade comemoramos os 25 anos de presença dos Oblatos de São José na Paróquia Santa Edwiges; a realização da Semana de Espiritualidade Cristã com a presença de alguns representantes de confissões cristãs, como da Igreja Ortodoxa, Igreja Presbiteriana Independente, dentre outros; a reinauguração do Seminário Teológico Pe. Pedro Magnone, que depois de uma ampla reforma podia acolher os Freis Oblatos de São José para sua formação em vista do sacerdócio; a inauguração da Capela da Reconciliação no lugar dos antigos sobrados de catequese, onde por meio da assistência religiosa no sacramento da penitência os fieis e devotos que veem nos dias 16 de cada mês para celebrar nosso Senhor Jesus Cristo por intercessão de Santa Edwiges, poderiam ser melhor atendidos e recepcionados deixando ali na capela seus pedidos e ex-votos. Já na Arquidiocese de São Paulo acolhíamos nosso novo pastor, Dom Cláudio Hummes designado para assumir a grande e plural Igreja particular de São Paulo; sua posse se deu em 29 de maio de 1998. Antes da posse de Dom Cláudio a arquidiocese em uma bonita e sensível celebração eucarística (17 de maio de 1998) despediu-se de Dom Paulo Evaristo Arns, que se tornaria emérito.

O último ano de pastoreio de Pe. Miguel em Santa Edwiges foi 1999. Neste ano as formações foram continuadas, a espiritualidade continuou sendo absorvida pelos paroquianos fieis e devotos de Santa Edwiges, que na imitação de São José e São José Marello identificavam-se cada vez mais com o Santuário da padroeira dos pobres e endividados. Neste ano comemoramos com os Oblatos de São José os 80 anos de sua presença no Brasil, com uma peregrinação e celebração eucarística no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida.

Para fechar com chave de ouro a sua passagem por aqui, Pe. Miguel Píscopo preparou toda a comunidade para a celebração de abertura do Ano Jubilar pelos 2000 anos do nascimento de nosso Senhor Jesus Cristo, ano este que foi proclamado pelo Papa João Paulo II como dissemos no início deste artigo. A Paróquia-Santuário Santa Edwiges foi designada na Região Episcopal Ipiranga como um das igrejas jubilares onde os peregrinos de todos os cantos da cidade de São Paulo poderiam acorrer para alcançar as indulgências plenárias (remissão dos pecados que o fiel cristão alcança devidamente, mediante determinadas condições e que a Igreja concede). A celebração de abertura do Ano Jubilar foi enriquecedora e bem participativa com a presença de todos os agentes de pastoral e movimentos de nosso santuário, com destaque para a Infância Missionária, do Grupo de Jovens, da Catequese, do Grupo de Leitores, todos estes capitaneados pelo Frei Paulo Siebeneicheler, osj que é o nosso atual Vigário Paroquial.
Um pároco deve permanece numa comunidade mais ou menos por um período de seis anos, tempo este suficiente para exercer um grande trabalho. Não é necessário explicar que Pe. Miguel de 1994 até o ano 2000 desempenhou com afinco sua missão de pastor. Ele veio de longe, de outras culturas (não só da sua Itália natal), com um leque de possibilidades de ação que a nós foi possibilitado, graças a Deus. Sendo ele um padre religioso, ou seja, pertencente a uma congregação, deveria estar disposto aos que os superiores desta lhe designassem a ser feito em outros rincões. Pois bem, em meados do mês de março do ano 2000 ele foi eleito Conselheiro Geral da Congregação dos Oblatos de São José, devendo dias depois assumir o seu encargo de auxílio na congregação que tem o patrocínio de São José, partindo novamente para a Itália e por lá realizar novos ofícios.
No dia 26 de março de 2000 aconteceu a celebração eucarística com a intenção da despedida de nosso primeiro reitor. A presença da comunidade ficou evidente na expressão de agradecimento ao padre que por seis anos nos consolidou como Santuário de acolhida aos fieis e devotos da santa polonesa, Edwiges.

Por tudo o que fez por esta casa de Deus e lugar de paz que é a Paróquia-Santuário Santa Edwiges, somos gratos neste quase 50 anos de nossa existência ao Pe. Miguel Piscopo.

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