1961: Primícias do trabalho pastoral

O ano de 1961 na atividade civil tanto do Brasil e do Mundo foi marcado por vários acontecimentos, tais como: a posse e posterior renúncia do ex-presidente Jânio Quadros, a construção do Muro de Berlim na Alemanha, o astronauta Yuri Gagarin torna-se o primeiro homem a ir ao espaço. Em nossa paróquia muitos foram os acontecimentos que tornaram possíveis a vida de comunidade como a bênção do novo sacrário, a primeira celebração da Semana Santa e a primeira grande Festa Patronal de Santa Edwiges.

Tendo se instalado junto à Paróquia e ao povo que ali a freqüentava, Pe. Afonso Hansch se empenhou em procurar alguns “paraninfos” para que pudessem gravar seus nomes na história da Paróquia dado o seu “zelo à casa do Senhor” (cf. Salmo 69(68), 10).

Um dos primeiros paraninfos ou padrinhos foi o senhor Luis Tutto, que foi convidado por Pe. Afonso para a bênção do novo sacrário da igrejinha que aconteceu antes da Missa da Vigília do Natal no dia 24 de dezembro de 1960. Aliás, foi o próprio senhor Luis quem doou o novo sacrário para a Paróquia, ao lado de sua esposa a senhora Maria. Diz-nos o primeiro Vigário que o “Menino-Jesus” abençoou duplamente a comunidade daquele tempo, com o presente do sacrário, bem como, a vinda de um padre fixo para a Paróquia de Santa Edwiges. Era um sentimento comum, tanto do padre como de seu povo.

Para que os sacramentos pudessem acontecer de forma plena, outros padrinhos foram convidados a oferecer os objetos litúrgicos necessários para isto, tais como: alfaias, ostensório, âmbula, concha para o batismo, paramentos, capa de asperge, candelabros dourados, genuflexório e lâmpada para o Santíssimo Sacramento. As pessoas bondosas que puderam contribuir com tais doações e apadrinhamentos foram: Sr. Manuel da Silva, Sr. Luis Apud e Sra. Aparecida, Sr. Sebastião Teixeira e Sr. Juventino da Silva. O ano novo de 1961 começava com a esperança de tempos de júbilo para a Paróquia da padroeira dos endividados, modelo dos políticos e mãe dos pobres, Santa Edwiges.

Pe. Afonso no livro tombo, coloca sobre a proteção de Maria o início real do apostolado na seguinte oração: “Louvado sejam Jesus e Maria! Com esta saudação Sacramentina, as bênçãos de Deus e dos nossos Superiores diocesanos e religiosos iniciamos o Apostolado Paroquial nesta nossa décima Paróquia de nosso sacerdócio. Tudo para a maior glória de Deus e salvação das almas… Não em último lugar colocamos o nosso trabalho debaixo do manto protetor de nossa grande padroeira da Paróquia: Santa Edwiges, admirável patrona da nossa saudosa terra natal, a Silésia, na inesquecível e longínqua Alemanha. Deo Gratias!”

O “acordar geral” da Paróquia Santa Edwiges, segundo o seu Vigário, foi a primeira Semana Santa, que foi vivida com intensidade de fé ano de 1961, desde o Domingo de Ramos (com data do dia 26 de março) até o ápice da Vigília Pascal em 1º de Abril. Ainda marcaram bastante as atividades, as primeiras comunhões de pessoas adultas. Com isso, o povo teve como grande propósito reavivar a prática da religião.

O reavivar da fé dos paroquianos da Paróquia aconteceu nos meses que se seguiram, como no mês de maio com as homenagens à Mãe de Jesus Cristo e benção solene da nova estátua de Santa Edwiges (doada pelo senhor Luis Antonio de Souza e Sra. Helena do bairro da Mooca); a primeira romaria da Paróquia ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida — à qual, segundo relato do Pe. Afonso, faltou um pouco de espírito paroquial; o lançamento da “Pedra Fundamental” do Educandário Santa Edwiges; a quermesse que animou este mês, foi provida pelos senhores Waldir, Odair Ferraz e José Ramos Cabral. Em junho mês do Sagrado Coração de Jesus foi erigido de forma oficial o Apostolado da Oração, com as agregações dos membros e bênção da imagem doada pelo devoto Luis Laracerra e Sra. Maria de Cambuci.

Ocorreram também no decorrer do primeiro ano de “paroquiato” encontros familiares, passeios comunitários e uma segunda romaria, que desta vez foi rumo a Bom Jesus de Pirapora, que diferente da primeira romaria — em Aparecida do Norte — a comunidade de Santa Edwiges se sentiu realmente uma Paróquia, tanto que expressou que aquela romaria “deixaria saudades”.

A propaganda da existência da Paróquia começou a ser feita por toda a capital paulista. Não só por meio de folhetos, mas também, pela televisão. Conta-nos Pe. Afonso que o canal 4 tinha entrevistado um tal senhor Manuel Vitor e as rádios Nove de Julho (da Arquidiocese), Nacional e Difusora também já faziam propaganda da nossa Paróquia que estava no bairro de Sacomã.

Com um considerável aumento de paroquianos que participavam das missas dominicais — que aconteciam nos horários das 7h, 8h30 e 18h — foi preciso que se criasse mais um horário, o das 10h, para atender o povo que se deslocava até a igrejinha para participar das missas. Veio nos auxiliar naquele período o Pe. Carlos (do Seminário do Sião).

Como sempre foi uma marca do Santuário, a catequese também foi decisiva no início da evangelização da Paróquia. Aliás, naquele tempo não se chamava catequese e sim, catecismo. Há referências de Pe. Afonso que o número de participantes adultos na catequese eram de 15 a 20 pessoas. Já as crianças alcançavam um número de 200 a 250, que participavam dos encontros em preparação à Primeira Eucaristia.

Com tantos acontecimentos em benefício da edificação do templo e da Igreja membro do Corpo de Cristo, veio por fim a Primeira Festa de Santa Edwiges. Nossa primeira festividade foi anunciada pelas rádios Nove de Julho e Difusora. Com uma solene procissão, seguida de missa e bênção aos seis de outubro de 1961 a primeira festa de Santa Edwiges aconteceu de forma esplendorosa. Uma salva de tiros de artifício no dia 15 de outubro, anunciou para o dia seguinte (o dia da padroeira) a grande solenidade.

O grande dia de Santa Edwiges foi celebrado já com a primeira missa, às sete horas, com a comunhão geral do povo (parece-nos que era um costume evidenciar a participação dos fiéis pela efetiva comunhão tomada na missa); na missa das oito horas aconteceu a Primeira Eucaristia de 105 crianças; às 10 horas Missa Cantada de três Padres com o coro do Seminário Central e à tarde, às 16 horas, solene procissão com três carros alegóricos (retratando a vida de Santa Edwiges). Não obstante ao clima, que estava garoa fina, marca de nossa cidade de São Paulo, como a “terra da garoa”, o povo devoto marcou com intensa presença a primeira festa. Foi o grande pregador neste dia solene Monsenhor Luiz Gongaza, Reitor do Seminário Central. Com a bênção do Santíssimo Sacramento ao som dos últimos acordes do Coro do Instituto Padre Chico, a bela festa encerrou-se com a chuva, que como água benta abençoava os fiéis ali presentes.

Foi dito acima que o senhor Luiz Tutto e esposa foram os doadores do sacrário, mas informa o Pe. Afonso que a conta da compra do tabernáculo ficou meio que “aberta” na loja em que foi adquirido. Assim, teve que ser aberta uma Campanha do Sacrário para a sua quitação, sendo que os senhores Luiz Apud e José Romano ofereceram de maneira generosa a quantia certa para a quitação do lugar a ser preservada a Santíssima Eucaristia, sendo assim considerados os paraninfos definitivos.

Padre Afonso Hansch encerra o seu primeiro ano de vigário em Santa Edwiges com os seguintes dizeres: “Foi assim que alcançamos, através de horas de alegria, como também, de amarguras o segundo Natal e depois deste, o fim do ano de 1961. Por tudo agradecemos ao bom Deus, que aceitou os nossos sacrifícios pela salvação das almas da Paróquia Santa Edwiges. Deo Gratias!”

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