Cerimônias de canonização

Na Idade Média, quando o túmulo da pessoa canonizada não se encontrava no lugar do anúncio do decreto de canonização ou nas suas proximidades, esta situação dificultava a cerimônia. Isto porque as pessoas particularmente ligadas ao novo santo nem sempre tinham acesso fácil ao local. Além disso, costumava-se realizar perto do túmulo do recém-canonizado cerimônias especiais que consistiam na abertura do túmulo, exumação dos ossos, levantamento da situação dos restos mortais e extração de relíquias. Também se fazia o levantamento destes restos mortais, ato que se chamava “elevatio” e transporte para um novo túmulo ou “translatio”. Esta transladação ocorria com um grande número de pessoas, clérigos e leigos. Era naquele tempo a verdadeira “canonização popular”. Nesta ocasião o Papa e os Bispos concediam ao lugar e às pessoas que lá iam diversas indulgências. Era comum celebrar-se um santo duas vezes ao ano: no dia de sua morte e no dia de sua transladação.

Os habitantes da Silésia tiveram ocasião de perceber a importância da transladação de um santo quando isto foi feito com as relíquias de Santo Estanislau, Mártir, Bispo de Cracóvia. Ele havia sido declarado Santo em Assis, em oito de maio de 1253 e, um ano depois em oito de maio de 1254. O Bispo de Wroclaw, Tomás I, participou desta transladação e trouxe consigo a experiência e as impressões de forte apelo popular e devocional que isto despertava.

Quando a notícia da canonização de Edwiges chegou à Silésia em maio ou junho de 1267, isto encheu o coração de todos os habitantes do ducado onde ela fora uma presença de santidade. Especialmente as religiosas do Convento de Trzebnica exultaram com isto e imediatamente começaram a preparar a exumação e deslocamento dos restos mortais de sua santa protetora em vista da “translatio” para um túmulo novo e de grande solenidade.

Os preparativos para este fato são recordados por alguns documentos. Primeiro, um carta de Papa Clemente 4º dirigida à Abadessa e ao Convento de Trzebnica, datada de oito de junho de 1267. Pode-se ler nela: “Foi decidido solenemente de transladar o corpo da duquesa Edwiges do lugar onde está em sua Igreja para outro, em que sugerimos seja mais adequado para o culto e a devoção dos fiéis. A carta dá aos fiéis que participarem desta “translatio” uma indulgência de dois anos e 80 dias e, aos que visitarem a Igreja de Trzebnica nos oito dias seguintes ao fato, uma indulgência de um ano e 40 dias. Para os que forem à Igreja no aniversário da “translatio” era concedida uma indulgência de cem dias. Ainda mais: o representante do Papa em Cracóvia, Bispo Guido, concedeu em 1º de julho de 1267 uma indulgência de 60 dias para os participantes da transladação das relíquias da duquesa.

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