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Palavra do reitor › 30/05/2018

Alegrai-vos e Exultai – O chamado à Santidade

Com as iniciais latinas Gaudium et exultate (Alegrai-vos e exultai – Mt 5,12), o Santo Padre, o Papa Francisco, assinou no dia 19 de março de 2018, na Solenidade de São José, com 177 parágrafos distribuídos em cinco capítulos, uma importante Exortação Apostólica, com sobre a chamada à santidade no mundo atual. Tema candente para os dias de hoje na vida de cada fiel chamado, pelo Batismo, a ser santo como o Pai celeste é santo (cf. Mt 5,48). Eis, nas palavras do Papa, a razão e a oportunidade do Documento que chama a todos à santidade, nunca à mediocridade, como se fosse possível ser um católico mais ou menos: nem santo, nem pecador. Não existe esse meio termo, nem no Antigo, nem no Novo Testamento. “‘Alegrai-vos e exultai’ (Mt 5,12), diz Jesus aos que são perseguidos ou humilhados por causa dele. O Senhor pede tudo e, em troca, oferece a vida verdadeira, a felicidade para a qual fomos criados. Quer-nos santos e espera que não nos resignemos com uma vida medíocre, superficial e indecisa. Com efeito, a chamada à santidade está patente, de várias maneiras, desde as primeiras páginas da Bíblia; a Abraão, o Senhor propô-la nestes termos: ‘anda na minha presença e sê íntegro’ (Gn 17,1)” (n. 1).

O capítulo I apresenta a contextualização desse chamado universal à santidade a partir não só de conceitos, mas também de exemplos de quem já fez esse caminho, ou seja, os santos e santas. São eles uma “nuvem de testemunhas” que já venceram a batalha e, agora, na glória eterna, intercedem junto a Deus por nós (cf. Hb 11-12). São heróis, pois, de algum modo, deram a vida pela causa do Evangelho, conforme se comprova no processo de canonização (quando a Igreja declara alguém santo) (n. 5).

É preciso, no entanto, olhar também para pessoas que não foram canonizadas, mas são santas. Daí a importância do Dia de Todos os Santos celebrado na Liturgia da Igreja no início de novembro. São os santos e santas que estão, como fala o Papa, “ao pé da porta”, pois estão “nos pais que criam os seus filhos com tanto amor, nos homens e nas mulheres que trabalham a fim de trazer o pão para casa, nos doentes, nas consagradas idosas que continuam a sorrir. Nesta constância de continuar a caminhar dia após dia, vejo a santidade da Igreja militante. Esta é muitas vezes a santidade “ao pé da porta”, daqueles que vivem perto de nós e são um reflexo da presença de Deus, ou – por outras palavras – da ‘classe média da santidade’” (n. 7).

O Papa, após recordar São João Paulo II a dizer que a santidade é algo que também ortodoxos e alguns ramos reformados compartilham, exorta: “o que quero recordar com esta Exortação é sobretudo a chamada à santidade que o Senhor faz a cada um de nós, a chamada que dirige também a ti: ‘sede pois santos, porque eu sou santo’ (Lv 11,45; cf. 1Pd 1,16).

Alguns poderiam acusar, de modo injusto, a Igreja de não valorizar, devidamente, as mulheres. Isso não é verdade, pois “o Espírito Santo suscitou santas, cujo fascínio provocou novos dinamismos espirituais e reformas importantes na Igreja.

Ressalte-se que a santidade é fruto do Batismo, portanto aberta a todos (e não a uns poucos clérigos ou consagrados(as)), e está presente nas pequenas, mas importantes coisas do dia a dia. Fala o Santo Padre: “Esta santidade, a que o Senhor te chama, irá crescendo com pequenos gestos. Por exemplo, uma senhora vai ao mercado fazer as compras, encontra uma vizinha, começam a falar e surgem as críticas. Mas esta mulher diz para consigo: “Não! Não falarei mal de ninguém”. Isso é um passo rumo à santidade. Depois, em casa, o seu filho reclama a atenção dela para falar das suas fantasias e ela, embora cansada, senta-se ao seu lado e escuta com paciência e carinho. Trata-se de outra oferta que santifica. Ou então atravessa um momento de angústia, mas lembra-se do amor da Virgem Maria, pega no terço e reza com fé. Este é outro caminho de santidade. Em outra ocasião, segue pela estrada fora, encontra um pobre e detém-se a conversar carinhosamente com ele. É mais um passo” (n. 16). Veja, irmão e irmã, como a santidade está ao nosso alcance. Podemos e devemos abraçá-la com ardor tendo por referencial Cristo Ressuscitado, penhor de vitória.

Cada um veio ao mundo com uma missão a desenvolver no local em que vive, do modo como Deus o chama (cada chamado é único).

Importa ter Cristo como modelo e segui-Lo, na humildade, contemplando e agindo, de um lado, e agindo e contemplando, de outro, em plena harmonia. Precisamos de um espírito de santidade que impregne tanto a solidão como o serviço, tanto a intimidade como a tarefa evangelizadora, para que cada instante seja expressão de amor doado sob o olhar do Senhor. Desta forma, todos os momentos serão degraus no nosso caminho de santificação” (n. 31).

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