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Artigos › 20/12/2018

A esperança é um hábito que pode ser aperfeiçoado

A esperança é uma virtude dada por Deus para que o ser humano consiga orientar-se rumo à eternidade. Ela é antecipada pela virtude da fé e, por sua parte, é pré-requisito para a existência da verdadeira virtude da caridade.

Assim como todas as virtudes, a esperança é um hábito que pode ser aperfeiçoado. Na verdade, Deus a concede em semente para que seja cuidada e cresça por meio do trabalho do homem em sintonia com seu Criador. Mas, evidentemente, tudo que pode crescer também é passível de definhar e morrer. Do mesmo modo que alguns pecados podem matar a fé, outros aniquilam a esperança e a desterram da alma humana. Impedindo, rapidamente, o homem se voltar para Deus e crescer na vida interior.

Os dois grandes pecados que destroem a virtude da esperança são a desesperação e a presunção. Mas o que viria a ser cada um deles e como eles se formam e crescem na alma das pessoas?

A desesperação

A desesperação é aquela certeza de que não há possibilidade de salvação. Sua vítima percebe a imensa distância entre criatura e Criador, os seus múltiplos pecados pessoais, e chega à conclusão de que seu pecado é imperdoável ou que, para ele, não existe remissão da culpa ou salvação possível. O apóstolo Judas, com seu ato de tirar a própria vida, parece ser um exemplo típico da desesperação frente a Deus (Mt 27,4). Pedro, após negar Jesus três vezes (Lc 22,61), quase é vítima do mesmo pecado.

Embora pareça que a desesperação seja fruto de situações pontuais não resolvidas e faça vítimas aleatoriamente, não é bem assim. Os santos padres do deserto, mestres da psicologia da vida interior do homem, ensinam que a desesperação não faz vítimas ao acaso. Ela é gerada naqueles que se entregam a dois tipos de pecados: a acídia e a luxúria.

A acídia, ou preguiça espiritual, é o hábito ruim, ou seja, o vício de não se entregar à oração, ao estudo das escrituras e a construção da própria fé. Como numa reação em cadeia, aquele que negligencia a virtude da fé desenvolve a acídia e sente que é cada vez mais difícil se entregar a Deus. Além de minar a fé, provoca a desesperação.

A luxúria, na visão espiritual dos santos padres, não se referia somente à atividade sexual, mas era, sobretudo, um amor exagerado a tudo que é do mundo sensível ou material. Assim, se em vez de esperar tudo em Deus, espera-se resolver com o dinheiro, ser feliz com posses materiais ou qualidades sensíveis, espera-se gozar a vida por meio da comida e da bebida, está-se envolto pela luxúria. Claro, nada disso, em si mesmo, é ruim.

São Paulo bem alertou que o grande problema não está nas coisas, mas no modo como elas afetam as pessoas ou estas se deixam afetar (1Cor 6,12). É evidente, no entanto, que aquele que faz planos contando com as vantagens do mundo, até mesmo com suas qualidades pessoais, mas se esquece de Deus, vive cultivando a luxúria. E quem coloca o seu coração (sua esperança) nas coisas do mundo, cria um tesouro material muito longe de Deus (Mt 6,21). O problema é que, mais cedo ou mais tarde, o mundo material falha, e como não se cultivou a virtude da esperança, surge a desesperação.

A presunção

A presunção é um dos pecados mais comuns entre os que dizem possuir a fé atualmente. Estes clamam em alta voz que não precisam esperar em Deus, pois já estão salvos. Consideram-se bons católicos, porque vão à Missa, não matam nem roubam; e como Deus é amor e misericórdia, nunca os mandará para o inferno. Triste engano. São vítimas da cegueira produzida pelos seus pecados que os fazem achar, contrariando a palavra de Jesus (Mt 7, 13-14), que é fácil conquistar a vida eterna. Assim como a desesperação, a presunção é cultivada por meio de dois grandes pecados: a soberba e a vanglória.

A soberba, pecado tão antigo quanto o homem e quanto os anjos, faz com que sua vítima acredite que “sabe mais que Deus” e, que “pode ocupar o Seu lugar”. Claro, atua de forma muito dissimulada e não ousa dizer estas frases. Mas aqueles que são vítimas de soberba usam frequentemente outras frases: “nesse ponto, não posso concordar com a Igreja!”, “o Papa disse, mas isso não se usa mais.” Aquele que se põe como juiz da Igreja, do Magistério ou das Sagradas Escrituras, revela a sua soberba claramente. Com a soberba, vem a presunção e, com esta, a morte da virtude da esperança. Fica claro por que aqueles que usam esses discursos são tão azedos: sem esperança, nunca existirá o verdadeiro amor.

A outra raiz da presunção é a vanglória. Parece ser o mesmo que a soberba, mas não é. A vanglória faz com que o sujeito não se ache melhor do que ninguém, não é soberbo, mas que precisa ter um tratamento especial. Afinal, por que Deus não irá salvar aquele que comunga todo o dia? Por que irá deixar se perder aquele que reza o terço e faz obras de caridade? Acredita que Deus sabe tudo e, por conseguinte, sabe também que ele merece um tratamento diferenciado. No entanto, somente Deus mesmo pode saber se aquela comunhão diária não é sacrílega, se o terço rezado não é o intervalo de uma vida de desonestidade e falcatruas ou sabe-se lá o que. É preciso notar (e escrever) que um milhão de boas obras não apaga um único pecado mortal, somente o sacramento da penitência ou reconciliação tem esse poder.

Por Flávio Crepaldi, via Canção Nova

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